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A influência do Kremlin e o modelo de governança estão a cair por terra

Ilustração: Lubomir Kotrha / es.toonpool.com


Este artigo foi escrito pela redação da InformNapalm Lituana. [1]


A 11 de Outubro de 2020, os eleitores lituanos rejeitaram os políticos amplamente considerados como sendo os mais simpáticos aos interesses malignos da Rússia.

A incapacidade total de grupos políticos lituanos, como a Acção Eleitoral dos Polacos na Lituânia – Aliança das Famílias Cristãs (em ingles: Electoral Action of Poles in Lithuania – Christian Families Alliance EAPL-CFA), de ultrapassar 5% dos votos nas eleições para o Seimas significa que esta força política não estará practicamente representada no Parlamento da Lituânia (Seimas) 

Os líderes da EAPL-CFA fizeram declarações favoráveis ao ditador bielorrusso Alexander Lukashenka após as eleições falsificadas em Agosto de 2020 na Belarus, ao expressar o seu apoio ao ditador (que é apenas um fantoche da influência maligna da Rússia) e ao aprovar a sua política.

Os resultados das eleições parlamentares na Lituânia mostraram o que as pessoas livres, cidadãos da uma sociedade livre e democrática, pensam em relação aos que continuam a debitar a propaganda emanada dos agentes da influência maligna russa.

A “inauguração” apressada, secreta e clandestina de Lukashenka é mais uma prova de que o seu “mandato” foi emitido por Moscovo e não pelos cidadãos da Belarus.

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Protestos na Belarus continuam há 4 meses/ fotografia AP

O regime de Lukashenka permitiu que a polícia usasse armas de fogo contra os manifestantes. Mas quem são esses manifestantes? Por exemplo, a 12 de Outubro em Minsk mais de 2000 pessoas participaram na manifestação contra o regime de Lukashenko. E a maioria daquelas pessoas eram pessoas idosas. Essa manifestação contra as autoridades bielorrussas foi chamada de “marcha dos reformados”. Nesse caso, de quem é que Lukashenka tem medo?

O comportamento do ilegítimo líder bielorrusso, indica que este simplesmente teme a reacção dos cidadãos do seu estado e tem medo do seu próprio povo. A sua afirmação de não ser outra coisa senão a escolha actual de Putin é ridícula, pois, os líderes políticos populares não se escondem do povo e não ameaçam disparar sobre este durante manifestações pacíficas ao exercerem o seu direito de reunião em locais públicos e não publicitam também reuniões diplomáticas em jeito de farsa, com outros ditadores – nesse caso, Lukashenka simplesmente ajoelhou-se diante de Putin num pedido de ajuda à Rússia.

No entanto, noutros países pós-soviéticos, também há sinais de um declínio da influência russa que é com certeza perigoso do ponto de vista de Moscovo. Por exemplo, as eleições fraudulentas mais recentes no Quirguistão geraram uma oposição forte do povo do Quirguistão e protestos públicos. 

Seguindo o exemplo da covardia de Lukashenka, o presidente do Quirguistão, Sooronbaai Jeenbekov, declarou recentemente “o estado de emergência” e escondeu-se em local desconhecido, também proibiu reuniões públicas e forçou os residentes a ficarem em casa para evitar protestos em massa contra resultados eleitorais fabricados.

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Manifestantes a invadir o prédio do governo do Quirguistão

O conflito entre a Arménia e o Azerbaijão também complicou os planos do Kremlin de aumentar sua influência económica e de segurança, nessas ex-repúblicas soviéticas.

A União Europeia impôs sanções às autoridades russas em resposta ao envenenamento do líder da oposição russa Alexei Navalny. Tanto a França como a Alemanha emitiram um documento conjunto referindo  que, apesar de várias investigações repetidas, a Rússia não forneceu “nenhuma explicação convincente” para o incidente. Diz-se também no relatório que “não há outra explicação plausível para o envenenamento do Sr. Navalny além do envolvimento e responsabilidade russos”.

Todos esses eventos sugerem que a capacidade do Kremlin de exercer influência maligna prejudicial, mesmo internamente, com incidentes como o envenenamento de Navalny ou tentativas de reprimir protestos na cidade de Khabarovsk, está a enfrentar forte resistência internacional. Isso mostra que o modelo de governança escolhido pelo Kremlin, baseado na violência e na interferência externa, está a tornar-se extremamente frágil.

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Protestos em Khabarovsk estão a continuar / Fotografia: Cyprus Mail.

Antes de baixar os braços no combate à influência maligna da Rússia,  vale a pena lembrar o ditado de que um cão encurralado torna-se mais perigoso. Pode-se esperar que o regime do Kremlin, sabendo que a sua influência maligna é um requisito existencial para o “ladrão na lei” Putin, (em russo: “Vor v zakone”, вор в законе)), e a sua clientela de ladrões, poderá renovar, energicamente as suas políticas desavergonhadas e imorais, para recuperar a sua posição tanto a nível interno como internacional.

Controlar e confrontar a Rússia exigirá mais força e recursos. No entanto, podemos ter certeza de que a propaganda do Kremlin não resistirá à transparência e à abertura e, portanto, fará todo o possível para continuar a trabalhar nas trevas e através da fraude.

Diz-se que a hipocrisia é o tributo que o vício presta à virtude. Até mesmo a Rússia sente a necessidade de apoiar seus aliados nas tentativas de se validar e legitimar por meio de mandatos eleitorais do povo, mas procura manipular resultados da forma mais cínica. De qualquer forma, apesar dos esforços russos, os eventos a decorrer na Lituânia, na Belarus, no Quirguistão e até mesmo na própria Rússia mostraram que as mentiras criminosas do Kremlin não conseguiram influenciar e enganar tão facilmente a opinião pública.


Tradução: Helena Sofia da CostaDistribuição e partilha com referência à fonte são bem-vindas! A comunidade InformNapalm [17] não tem nenhum apoio financeiro do governo de nenhum país ou doador, os únicos patrocinadores do projeto são os seus voluntários e leitores. Também pode ajudar o InformNapalm com uma contribuição através da plataforma Patreon [18].

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