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“Estamos em guerra, sou mantido em cativeiro”, afirma o jornalista da InformNapalm Denis Ivashyn

Denis Ivashyn [1], um jornalista bielorrusso conhecido, editor da versão bielorrussa do site da Comunidade Internacional Voluntária de informação OSINT InformNapalm, enviou a sua primeira carta, depois de um mês de silêncio, da prisão na Belarus onde está detido desde 12 de Março de 2021. 

É sabido que a detenção do jornalista foi novamente prolongada até 12 de Setembro sem a apresentação de qualquer acusação. No total, Denys Ivashyn está na prisão de Grodno há 4 meses, devido à sua investigação OSINT sobre ex-funcionários da unidade especial de Berkut dissolvida na Ucrânia, que fugiram para a Belarus e continuaram a servir o ditador Lukashenko. Esse foi o motivo formal da sua detenção. 

Não houve cartas de Denis Ivashyn durante mais de um mês. A censura não permitiu que elas passassem. No entanto, Denis conseguiu agora transmitir uma mensagem da prisão. A “Rádio Liberdade” [2] publicou trechos dessa carta a 8 de Julho.

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“Não duvidem nem por um momento do meu sacrifício e continuação do serviço sincero à nossa Pátria, a Belarus. Eu era e continuo a ser patriota, devotado à Pátria … Porém, as minhas intenções e os meus desejos pessoais já não são tão importantes … Compreendo-o perfeitamente, especialmente agora, durante a fase activa da guerra do regime e da ocupação interna. Estamos em guerra, embora eu não esteja na linha de frente agora e que a minha “arma jornalística” seja forçada a descansar. De qualquer forma,  sou mantido em cativeiro.

No entanto, o meu estatuto não muda: fui e continuo a ser jornalista, a minha actividade continua hoje, embora num contexto diferente tendo aspectos também diferentes, adquirindo certas formas de simbolismo e sacrifício. Para todo o mundo civilizado, as repressões e torturas de jornalistas são um grande desafio para a existência de um sistema democrático, para proteção dos direitos humanos e para a liberdade de expressão. Por isso, muito sangue já foi derramado, o que não nos permitirá fechar os olhos ao que se passa na Belarus. É por isso que o valor da minha personalidade tem aumentado muitas vezes.

Por isso, devemos estar prontos para tudo … Agora, o principal é a nossa Belarus e a sua transformação democrática. Com a ajuda de Deus, esperamos que isso aconteça em breve … Devemos estar unidos e apoiar-nos uns aos outros. Devemos viver e seguir em frente, cerrando os dentes para não começarmos a gritar e perder o controlo. Fico assim com uma fé ardente no meu coração, uma mente iluminada, uma vocação sincera e um sacrifício”.

Lembrem-se de que os responsáveis ​​pela aplicação da lei bielorrussa exercem não só pressão física, mas também psicológica [4], sobre os prisioneiros políticos do regime de Lukashenko.

No fim de Junho, Denis Ivashyn começou a ter problemas cardíacos na prisão de Grodno. Sabe-se também que os agentes penitenciários na presença de algumas pessoas desconhecidas exigem constantemente do jornalista uma “confissão”. Denis Ivashyn insiste que não cometeu nenhum crime, por isso não assina nenhum papel ou falsa acusação. 

Em Maio Denis Ivashyn foi colocado em confinamento solitário na célula de punição por 7 dias sem nenhuma explicação ou justificação, e foi novamente punido dessa forma a 21 de Junho. 

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Tradução: Helena Sofia da CostaDistribuição e partilha com referência à fonte são bem-vindas! O InformNapalm [12] não tem nenhum apoio financeiro do governo de nenhum país ou doador, os únicos patrocinadores do projeto são os seus voluntários e leitores. Também pode ajudar o InformNapalm com uma contribuição através da plataforma Patreon [13]. Siga o InformNapalm no Facebook [14] / Twitter [15] / Telegram  [16]e fique a par das novas publicações da comunidade.