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Mais provas do envolvimento da 41ª Brigada Militar de Navios Lança-Mísseis da Frota Russa do Mar Negro na agressão contra a Ucrânia

Na nova investigação OSINT com o objectivo de identificar tropas russas diretamente envolvidas na agressão contra a Ucrânia na Crimeia, a comunidade internacional de informação OSINT InformNapalm recolheu novas provas que confirmam a participação de alguns oficiais da Marinha da 41ª tripulação de mísseis da Frota do Mar Negro da Federação Russa. Na conclusão dos resultados desta investigação, apelamos às estruturas estatais ucranianas para que complementem a sua base de dados usando os nossos próprios dados sobre a agressão militar russa na Crimeia e para que tomem as acções processuais apropriadas.  

A pesquisa das páginas dos marinheiros russos nas redes sociais 

Ao realizar a investigação de fontes abertas de informação na rede social russa VKontakte, descobrimos uma página do marinheiro russo Oleg Nikolayevich Ermakov (em russo: Ермаков Олег Николаевич) nascido em 1992.

[1]

Publicou uma fotografia de uma medalha pela ocupação da Crimeia e um certificado de prémio por essa acção.

[2]

O certificado indica o número da unidade militar em que Ermakov serviu quando a Rússia começou a agressão armada contra a Ucrânia em Fevereiro de 2014. Unidade militar 72165 trata-se da 41ª Brigada de barcos lança-mísseis da Frota do Mar Negro da Federação Russa, localização permanente: a cidade de Sevastopol, na península de Crimeia temporariamente ocupada.

A estrutura da brigada tem duas divisões: a 166ª divisão de Novorossiysk de pequenos navios lança-mísseis* (em russo: МРК – малый ракетный корабль; com a classificação NATO: corveta) e a 295ª divisão de Sulinski de barcos lança-mísseis (em russo: ракетный катер, РКА)

*Um navio de mísseis, também chamado de lança-mísseis, é um  pequeno navio armado com mísseis anti-navio.

Os navios das ambas divisões participaram na agressão, sobre a qual a InformNapalm publicou as investigações OSINT [3].

[4]

A estrutura da brigada tem duas divisões: a 166ª Divisão Novorossiysk de Navios Lança Mísseis pequenos e a 295ª Divisão Sulinsky de Navios Lança Mísseis. Navios de ambas as divisões participaram no ataque, sobre o qual a InformNapalm publicou investigações feitas através de OSINT.

A seguinte fotografia do álbum de Ermakov [5], foi tirada a bordo do barco. Ao aumentar a escala da fotografia original, conseguimos ver a inscrição na bóia salva-vidas “РКА 953”.

РКА é a abreviatura que significa navio lança-mísseis

O 953 [6]  é o número lateral do navio lança mísseis P-239, lê-se “R-239”, (projeto 12411* “Molniya”, parte da frota russa [7] no Mar Negro desde 1992, a localização permanente do navio fica em Sevastopol temporariamente ocupado, na baía de Karantinnaya). Este navio faz parte da 295ª Divisão de navios lança-mísseis de Sulinski da 41ª Brigada de barcos lança-mísseis da Frota do Mar Negro da Federação Russa. Em 2018, o navio foi nomeado “Naberezhnye Chelny” [8].

Nota do tradutor:

* Project 1241.1 (NATO reporting name Tarantul-II). Project 1242.1 and project 1241.8 Molniya (“Lightning”) are further developments of the Tarantul family ships 

 * Projeto 1241.1 (classificação OTAN Tarantul-II). O projeto 1242.1 e o projeto 1241.8 Molniya (“Lightning” / “Relâmpago”) são versões mais modernas dos navios da família  Tarantul

Actualmente, eles são utilizados com grande sucesso em patrulhas, o que confere grande funcionalidade a esse tipo de barco, dada a sua já alta versatilidade, pois possuem alta velocidade e manobrabilidade. Dessa forma, eles podem actuar como interceptadores não apenas de embarcações pequenas, mas também de outras maiores e até ser considerados navios de ataque em grupos contra navios grandes, embora tudo isso à custa de baixa blindagem, baseando a sua defesa na sua velocidade e manobrabilidade.

Os leitores atentos podem comparar os elementos característicos do navio numa fotografia do álbum de Ermakov e em outras fotografias [9]do P-239 (lê-se “R-239”) encontradas online.

[10]

Entre os amigos de Ermakov, encontramos uma pessoa também envolvida na nossa investigação.  

Este é Alexander Piskarev (em russo:  Александр Пискарёв), nascido no dia 30 de Maio de 1991, na cidade de Ivanovo, Rússia.  

Ele foi condecorado com uma medalha pela ocupação da Crimeia.

[16]

Na rede social russo VKontakte Piskarev faz parte do grupo que se chama “41ª Brigada” (41ª Brigada de barcos lança-mísseis da Frota do Mar Negro da Federação Russa). A fotografia foi tirada ao bordo P-239 (lê-se “R-239”)  

[17]

 

Comandante do R-239

O comandante do barco lança-mísseis P-239 (“R-239”) durante a operação especial da captura da Crimeia foi o capitão de terceiro grau* Alexey Nikolayevich Orliapov (em russo: Алексей Николаевич Орляпов [23]), nascido em 15.11.1982.

[24]

Na fotografia, Alexey Orliapov à esquerda

Alexei Nikolaevich Orliapov nasceu em Kemin (anteriormente Bystrovka) no Quirguistão, onde os seus pais moraram e estudaram. Considerando os dados da página do pai da pessoa envolvida, Nikolai Orliapov (1 [25], 2 [26]), Alexei cumpriu o serviço militar da frota do Mar Negro, após a desmobilização continuou a servir na Marinha. Devido ao serviço na frota, a família  dos Orliapovs acabou por viver na Crimeia.

Além disso, Alexey Orliapov participou na agressão russa contra a Geórgia [27] em 2008.

* Nota do tradutor: 

A hierarquia da Marinha Portuguesa dispõe as seguintes patentes:

Oficiais superiores:

Na Rússia, a hierarquia da Marinha tem nomes diferentes: 

 A equivalência é a seguinte: 

[28]

Está escrito na fotografia que Orliapov participou na agressao russa contra a Geórgia. 

No inverno de 2015 [29], Alexei Orlyapov tem o posto de capitão de 2º grau como chefe de gabinete de um grupo táctico de  barcos lança mísseis.

[30]

Em 2018, ele tornou-se o comandante do pequeno navio lança mísseis «Orekhovo-Zuevo» [31] (número de placa 626, o navio  faz parte da 166ª divisão de lança mísseis pequenos da 41ª Brigada de Lança Mísseis da Frota do Mar Negro da Federação Russa).

Observamos também que Aleksey Orliapov [32] foi adicionado ao banco de dados do Centro da informação «Mirotvorets» [33], mas no dia 8 de Abril de 2020 apenas como comandante do pequeno navio lança-mísseis «Orekhovo-Zuevo» sem indicar dados sobre a sua participação na ocupação da Crimeia como comandante do navio lança-mísseis P-239. De acordo com os resultados da nossa investigação, o Centro da informação «Mirotvorets» também pode complementar as informações especificadas no seu banco de dados.

Conclusão

A 19 de Março de 2019, Alexey Orliapov foi incluído na lista de sanções do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia por um período de três anos. Mas, surpreendentemente, não está na lista  de 

membros (1, [34]2 [35]) do pessoal de comando das Forças Armadas e representantes das autoridades da Federação Russa, de quem a Procuradoria Geral da Ucrânia denunciou suspeitas

Além disso, o navio lança mísseis P-239 não está na lista de sanções do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia entre os outros navios envolvidos na agressão russa contra a Ucrânia. 

Portanto, de acordo com os resultados desta investigação, os voluntários da comunidade internacional de informação OSINT InformNapalm recorrem abertamente às estruturas estatais ucranianas e exortam-os a realizar todas as acções processuais necessárias.

Vejam também


Tradução: Helena Sofia da Costa.
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