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Sacerdotes ortodoxos russos ou agentes do FSB em território português?

Fotografia proveniente do site oficial da Câmara Municipal de Cascais

Recentemente, a Comunidade Internacional Voluntária de informação InformNapalm publicou um artigo bastante interessante intitulado “A Igreja Moscovita na Ucrânia: quem a financiou e por que continua a ser uma arma do Kremlin

E apenas alguns dias depois, a sociedade portuguesa, bem como os ucranianos que residem temporária ou permanentemente em Portugal, foram surpreendidos por uma notícia relativa à construção de uma nova paróquia da Igreja Ortodoxa Russa (IOR), também conhecida oficialmente como Patriarcado de Moscovo, em Cascais, uma das vilas mais conhecidas e elitistas de Portugal.

Cascais é justamente considerada uma jóia da costa portuguesa. No entanto, revelou-se “inesperadamente” também um polo de atracção para os chamados “novos russos”, os chamados “bons russos”, incluindo não só oligarcas, mas também declarados apoiantes de Putin, e, infelizmente, políticos que recebem salários pagos pelo Kremlin.

Imagem (captura de ecrã) proveniente do site oficial da Câmara Municipal de Cascais

Citação proveniente da captura de ecrã acima:

“Foi hoje formalizada a cedência de terreno pelo município de Cascais, em regime de direito de superfície, de uma parcela de terreno para construção da  Igreja Ortodoxa Russa e instalações de apoio. A cerimónia contou com a presença do bispo Dom Nestor, bispo de Korsun da Igreja Ortodoxa Russa do Patriarcado de Moscovo.”

“Cascais vai, assim, contar com a primeira Igreja Ortodoxa Russa do país, o que, nas palavras do bispo Dom Nestor, ‘é um grande acontecimento para toda a diáspora russa, não só em Portugal, como no resto do mundo, numa grande abrangência de povos’.”

“Acreditamos que o desenvolvimento de Cascais depende do respeito pela nossa identidade e da integração de todos aqueles que deixaram a sua pátria e escolheram este município como o seu projeto de vida”, afirmou Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, sublinhando que somos uma comunidade que acolhe 80% das nacionalidades do mundo, e que essa “integração de diferentes culturas e crenças torna-nos mais resilientes”.

Segundo uma das publicações mais conhecidas, “o capital russo, empapado em sangue, invadiu Portugal desde 2012: um aliado de Putin tem investido milhões em mansões e hotéis de cinco estrelas”.

Casos como este não são isolados: os oligarcas russos, que em discurso público se dizem apoiantes do “Russkiy Mir” (“mundo russo”), preferem viver no conforto da Europa democrática ao arrastar consigo a ideologia do putinismo.

Isto é perturbador, mas representa apenas metade do problema.

A outra metade é ainda mais preocupante para a Europa: agentes russos, bem como agentes de influência ao serviço do Kremlin, que recebem remunerações do Estado russo, circulam e operam livremente por todo o continente europeu. E Portugal não é excepção.

Fotografia: A invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada a 24 de fevereiro de 2022, provocou uma onda de expulsões de diplomatas em vários países, incluindo Portugal. O jornalista Rui Araújo

Segundo foi noticiado, a Câmara Municipal de Cascais aprovou o pedido da Igreja Ortodoxa Russa do Patriarcado de Moscovo e da Associação Religiosa e Cultural “Lusortodoxia” para a construção de um templo ortodoxo na Rua Senhora dos Navegantes, no Bairro dos Pescadores.

Como se pode ver, a Igreja Ortodoxa Russa sente-se perfeitamente confortável na Europa e, claro, também em Portugal. Esta instituição trava, há décadas, uma guerra não apenas contra a Ucrânia, mas contra todo o mundo democrático, ou seja, uma guerra política, económica e ideológica.

Esta estrutura funciona como um poderoso canal para a disseminação da ideologia do “Russkiy Mir”. Os europeus ainda não têm plena consciência do perigo que este fenómeno representa, mas, como estabelece um dos princípios fundamentais do Direito, o desconhecimento da lei não isenta da responsabilidade criminal.

O lobby político e a disseminação das ideias do Patriarcado de Moscovo são financiados diretamente pelo Kremlin, por oligarcas russos afiliados ao regime. O crime organizado russo também não fica de fora. O Kremlin constrói igrejas, mantém milhares de paróquias e promove os seus interesses através dos meios de comunicação locais e de políticos.

Assim, neste momento, o Kremlin procura expandir a sua influência, sobretudo sobre a consciência do cidadão português comum, através da construção de mais um templo do Patriarcado de Moscovo.

Os discursos do Kremlin, difundidos através do megafone da Igreja Ortodoxa Russa, não são novidade, pois o regime de Moscovo tem vindo a fazer isto há anos.



Fotografia: Igreja Ortodoxa Russa na cidade do Porto

Actualmente, Moscovo, através da Igreja Russa do ditador Putin, garantiu para si um “lugar privilegiado”: um terreno no centro de Cascais, com uma área de 1.593 m², arrendado por um período indefinido por um valor simbólico de 600 euros por mês (em Agosto de 2025, os preços normais de arrendamento, segundo dados do “Idealista”, situavam-se nos 22,2 euros por metro quadrado, o que corresponderia a cerca de 35 mil euros mensais).

Os dados apresentados foram fornecidos pela página do destacado político António Pinto Pereira, advogado, professor universitário e político. Actualmente, é candidato independente à presidência da Câmara Municipal de Cascais nas eleições municipais de 2025, apoiado pela coligação “NÓS, CIDADÃOS”.

Quem exatamente, entre os políticos e figuras influentes portuguesas, está por detrás destes acontecimentos, ainda está por investigar e provar. Mas, como se costuma dizer em Portugal, “Logo se vê”, em breve veremos.

P.S. A propósito, se eu fosse espanhola, estaria atenta, pois a Paróquia Ortodoxa de São João Crisóstomo (Arquidiocese de Espanha e Portugal, Patriarcado de Moscovo) é a única estrutura para ambos os países, Portugal e Espanha.


A publicação foi preparada por Helena Sofia da Costa especialmente para os leitores do site da Comunidade Internacional de informação InformNapalm. Estão convidados a usar essas informações nas vossas páginas da web. Todos os materiais do site InformNapalm.org têm Licença de Atribuição CC BY, o que torna mais fácil a jornalistas e bloggers de todo o mundo espalharem a palavra.

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