{"id":1364,"date":"2026-05-14T05:08:57","date_gmt":"2026-05-14T05:08:57","guid":{"rendered":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/?p=1364"},"modified":"2026-05-14T05:08:57","modified_gmt":"2026-05-14T05:08:57","slug":"dia-da-vitoria-uma-dicotomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/dia-da-vitoria-uma-dicotomia\/","title":{"rendered":"&#8220;Dia da Vit\u00f3ria&#8221;. Uma Dicotomia"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Dia da Vit\u00f3ria&#8221; exp\u00f5e hoje uma dolorosa dicotomia. Como pode um pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia, que n\u00e3o s\u00f3 proclama a democracia, o humanismo e a defesa da liberdade, como tamb\u00e9m afirma reger-se por esses valores, tolerar no seu seio comunidades que apoiam abertamente a agress\u00e3o russa e o chamado &#8220;mundo russo&#8221; (em russo: &#8220;\u0440\u0443\u0441\u0441\u043a\u0438\u0439 \u043c\u0438\u0440&#8221;, &#8220;russkiy mir&#8221;)?<\/p>\n<p>Em Portugal, continuam a existir v\u00e1rios c\u00edrculos russos e pr\u00f3-russos, bem como apoiantes de Vladimir Putin, que justificam a guerra, difundem propaganda russa e chegam mesmo a criticar cidad\u00e3os portugueses pelo seu apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia. N\u00e3o se trata de uma &#8220;opini\u00e3o diferente&#8221;, nem de liberdade de express\u00e3o no sentido democr\u00e1tico do termo; trata-se da toler\u00e2ncia de uma ideologia que trouxe morte, ocupa\u00e7\u00e3o e sofrimento a milh\u00f5es de ucranianos.<\/p>\n<p>A redac\u00e7\u00e3o da InformNapalm j\u00e1 havia dado a conhecer aos leitores a actividade da Igreja do Patriarcado de Moscovo em territ\u00f3rio portugu\u00eas, bem como a obten\u00e7\u00e3o de autoriza\u00e7\u00e3o para a aquisi\u00e7\u00e3o de um amplo terreno numa zona costeira de elevado valor na \u00e1rea de Lisboa.<\/p>\n<p>No entanto, a actividade de propagandistas do Kremlin e de meios pr\u00f3-Kremlin n\u00e3o se limita a isso. Por exemplo, o hino da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica chegou a ser entoado em voz alta no dia 1 de Maio nas ruas de Lisboa.<\/p>\n<div style=\"width: 720px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-1364-1\" width=\"720\" height=\"1280\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/1.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/1.mp4\">https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/1.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p>A atra\u00e7\u00e3o pela cultura sovi\u00e9tica e pelo regime de Estaline, respons\u00e1vel pela morte de milh\u00f5es de pessoas, o que representa, afinal? Cegueira pol\u00edtica? Ingenuidade? Ou uma forma de valoriza\u00e7\u00e3o de ideias associadas a regimes ditatoriais? S\u00e3o quest\u00f5es, em grande medida, de natureza ret\u00f3rica.<\/p>\n<h2>&#8220;Pervers\u00e3o de uma ideia&#8221;<\/h2>\n<p>O mundo j\u00e1 incorporou o conceito de &#8220;pobiedob\u00e9ssie&#8221; (em russo: \u043f\u043e\u0431\u0435\u0434\u043e\u0431\u0435\u0441\u0438\u0435). Trata-se de um termo depreciativo usado para descrever o culto em torno do chamado &#8220;Dia da Vit\u00f3ria&#8221; na R\u00fassia contempor\u00e2nea. A palavra resulta da jun\u00e7\u00e3o de &#8220;vit\u00f3ria&#8221; (pobeda) e &#8220;obsess\u00e3o&#8221;, &#8220;fanatismo&#8221; (bessie), sugerindo um estado de exalta\u00e7\u00e3o quase fan\u00e1tica. Este fen\u00f3meno traduz-se num culto da morte e na glorifica\u00e7\u00e3o da perda de vidas humanas ao servi\u00e7o do regime do Kremlin, apresentada como motivo de orgulho coletivo.<\/p>\n<hr \/>\n<p>*Nota do autor<\/p>\n<p>O termo russo &#8220;pobedobessie&#8221; (em russo: \u043f\u043e\u0431\u0435\u0434\u043e\u0431\u0435\u0441\u0438\u0435) \u00e9 um neologismo pejorativo usado de forma cr\u00edtica para descrever a transforma\u00e7\u00e3o do chamado &#8220;Dia da Vit\u00f3ria&#8221; na R\u00fassia num culto altamente militarizado e emocionalmente carregado. Neste contexto, a mem\u00f3ria da Segunda Guerra Mundial \u00e9 frequentemente instrumentalizada pelo Estado para fins de propaganda, exalta\u00e7\u00e3o militar e legitima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 sua origem, a palavra resulta da jun\u00e7\u00e3o de &#8220;pobeda&#8221; (vit\u00f3ria) e do elemento &#8220;-bessie&#8221; (-\u0431\u0435\u0441\u0438\u0435), associado a uma ideia de obsess\u00e3o ou fanatismo. Por sua vez, &#8220;bess&#8221; (\u0431\u0435\u0441) em russo significa &#8220;dem\u00f3nio&#8221;, &#8220;esp\u00edrito maligno&#8221; ou &#8220;diabo&#8221;, na tradi\u00e7\u00e3o religiosa e folcl\u00f3rica eslava. O sufixo &#8220;-\u0431\u0435\u0441\u0438\u0435&#8221; \u00e9 utilizado para descrever estados de fanatismo, obsess\u00e3o ou &#8220;posse&#8221; simb\u00f3lica, frequentemente com uma conota\u00e7\u00e3o negativa ou patol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Assim, &#8220;pobedobessie&#8221; pode ser traduzido, de forma literal e interpretativa, como &#8220;posse demon\u00edaca&#8221;, fanatismo extremo, &#8220;obsess\u00e3o fan\u00e1tica pela vit\u00f3ria&#8221;, sugerindo um comportamento coletivo marcado por uma dimens\u00e3o quase ritualizada ou irracional.<\/p>\n<p>Na l\u00edngua russa, constru\u00e7\u00f5es com o sufixo -\u0431\u0435\u0441\u0438\u0435 s\u00e3o por vezes usadas de forma ir\u00f3nica ou cr\u00edtica, como em:<br \/>\ntsarobesie (culto do czar);<br \/>\noutros usos sat\u00edricos semelhantes em contexto pol\u00edtico ou social.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Estamos perante uma militariza\u00e7\u00e3o agressiva da mem\u00f3ria da Segunda Guerra Mundial e a transforma\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia hist\u00f3rica e da lembran\u00e7a dos mortos em instrumento de propaganda estatal. A isso soma-se a normaliza\u00e7\u00e3o de uma l\u00f3gica de poder assente no lema &#8220;podemos repetir&#8221;, na exalta\u00e7\u00e3o da for\u00e7a militar e na nostalgia de uma grandeza imperial.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/001_vdovi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32846 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/001_vdovi.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"473\" \/><\/a><\/p>\n<h2>A \u2018Marcha das vi\u00favas\u2019 da chamada \u2018opera\u00e7\u00e3o militar especial\u2019 (SVO)&#8221;<\/h2>\n<p>A R\u00fassia utiliza a vit\u00f3ria conjunta das for\u00e7as aliadas em 1945 para justificar a sua actual agress\u00e3o contra pa\u00edses vizinhos como a Mold\u00e1via, a Ge\u00f3rgia e, neste momento, a Ucr\u00e2nia. Moscovo procura impor a ideia de que possui um &#8220;direito especial&#8221; ao uso da viol\u00eancia, com base no papel da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica na Segunda Guerra Mundial. Na R\u00fassia, a mem\u00f3ria da guerra deixa de ser um momento de luto e de homenagem \u00e0s v\u00edtimas, transformando-se num instrumento de manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, de militariza\u00e7\u00e3o da sociedade e de culto do Estado.<\/p>\n<p>Mais ainda, o lema &#8220;podemos repetir&#8221; (em russo: &#8220;\u043c\u043e\u0436\u0435\u043c \u043f\u043e\u0432\u0442\u043e\u0440\u0438\u0442\u044c&#8221;) adquiriu um significado que, no contexto de um Estado de natureza claramente autorit\u00e1ria, assume contornos de exalta\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e do poder militar. N\u00e3o se trata aqui da figura do defensor, mas da glorifica\u00e7\u00e3o do agressor e do ocupante. Neste enquadramento, o 9 de Maio deixa de ser apenas sobre os &#8220;av\u00f4s que combateram&#8221; e passa tamb\u00e9m a ser associado aos soldados russos mortos na guerra contra a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>No que diz respeito ao 9 de Maio russo (importa recordar que grande parte do mundo civilizado assinala a vit\u00f3ria sobre o nazismo a 8 de Maio) este dia h\u00e1 muito que deixou de ser apenas uma data de mem\u00f3ria daqueles que lutaram contra o nazismo.<\/p>\n<p>Na Internet circulam, com frequ\u00eancia, fotografias e v\u00eddeos que mostram participantes de desfiles associados ao fen\u00f3meno do &#8220;pobedob\u00e9ssie&#8221; em v\u00e1rias cidades da Federa\u00e7\u00e3o Russa a transportar retratos de cidad\u00e3os russos mortos na guerra contra a Ucr\u00e2nia, designada em Moscovo como &#8220;opera\u00e7\u00e3o militar especial&#8221; (em russo: \u0421\u0412\u041e, SVO).<\/p>\n<p>Actualmente, o chamado &#8220;Regimento Imortal&#8221; (&#8220;Bessmertnyi Polk&#8221;) passou tamb\u00e9m a integrar familiares de pessoas enviadas para uma guerra de agress\u00e3o contra a Ucr\u00e2nia, filhos, irm\u00e3os ou maridos. Entre os retratos exibidos, surgem n\u00e3o apenas figuras ligadas \u00e0 mem\u00f3ria da Segunda Guerra Mundial, mas tamb\u00e9m indiv\u00edduos que morreram em territ\u00f3rio ucraniano na sequ\u00eancia da invas\u00e3o russa.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da invas\u00e3o, em Fevereiro de 2022, estes desfiles passaram igualmente a incluir militares que participaram directamente na guerra contra a Ucr\u00e2nia. Muitos desses retratos est\u00e3o assinalados com o s\u00edmbolo &#8220;Z&#8221;, associado \u00e0s for\u00e7as russas envolvidas na ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Deste modo, o que inicialmente era apresentado como uma homenagem aos combatentes da Segunda Guerra Mundial, foi sendo progressivamente reconfigurado, passando a incluir tamb\u00e9m os mortos numa guerra contempor\u00e2nea de agress\u00e3o. Neste contexto, a mem\u00f3ria hist\u00f3rica \u00e9 apropriada e reinterpretada \u00e0 luz da actual pol\u00edtica militar do Estado russo.<\/p>\n<h2>Quando a ideia se transforma em arma<\/h2>\n<p>Ser\u00e1 que o cidad\u00e3o europeu comum tem consci\u00eancia disto? E, quando tem, que leitura faz dessa realidade?<\/p>\n<p>Infelizmente, nem todos na Europa (e importa sublinhar a Europa, uma vez que a guerra russo-ucraniana decorre no pr\u00f3prio centro do continente) disp\u00f5em de instrumentos cr\u00edticos suficientes para interpretar de forma clara a amea\u00e7a russa, tanto para a Ucr\u00e2nia como para a pr\u00f3pria Europa.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a vit\u00f3ria da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a chamada &#8220;liberta\u00e7\u00e3o&#8221;, aquilo que o regime sovi\u00e9tico trouxe n\u00e3o foi liberdade, mas sim o sistema do Gulag. Auschwitz e Buchenwald n\u00e3o deram lugar \u00e0 liberdade, mas sim a campos sovi\u00e9ticos, deporta\u00e7\u00f5es, repress\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas no territ\u00f3rio da pr\u00f3pria URSS, mas tamb\u00e9m nos pa\u00edses da Europa de Leste sob a influ\u00eancia do Pacto de Vars\u00f3via.<\/p>\n<p>Com o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, este fen\u00f3meno n\u00e3o desapareceu. Pelo contr\u00e1rio, transformou-se, enraizou-se e encontrou novas formas de express\u00e3o. Um regime totalit\u00e1rio cedeu lugar a outro, mantendo estruturas e l\u00f3gicas de poder que persistem sob diferentes formas.<br \/>\nEis o verdadeiro retrato do apoio a Putin e aos seus mitos sobre a guerra.<\/p>\n<p>Em 2026, pela primeira vez, militares da Coreia do Norte participaram no desfile em Moscovo. Um facto que, ironicamente, pode ser &#8220;celebrado&#8221; pelos pr\u00f3prios russos. Talvez seja agora altura de come\u00e7arem a aprender coreano.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/002_korean.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32848 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/002_korean.jpg\" alt=\"\" width=\"764\" height=\"509\" \/><\/a><\/p>\n<p>Fotografia: Forbes<\/p>\n<h2>Entre o humanismo e a indiferen\u00e7a<\/h2>\n<p>Perante estes factos, a sociedade europeia deveria reflectir de forma mais profunda. Em caso algum deveria permitir que ideias associadas ao putinismo ou ao estalinismo ganhem espa\u00e7o ou legitimidade nos seus territ\u00f3rios nacionais.<\/p>\n<p>Sim, a sociedade de Portugal deve tamb\u00e9m reflectir de forma s\u00e9ria sobre quem integra no seu espa\u00e7o p\u00fablico e sobre os valores que permite que se enra\u00edzem. N\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel construir uma democracia assente no humanismo e na liberdade enquanto se ignoram ou relativizam posi\u00e7\u00f5es que apoiam a agress\u00e3o, o imperialismo e a justifica\u00e7\u00e3o da morte de civis inocentes.<\/p>\n<p>H\u00e1 um n\u00famero significativo de cidad\u00e3os portugueses que manifesta apoio aberto \u00e0 R\u00fassia. A dimens\u00e3o deste fen\u00f3meno \u00e9, para muitos, surpreendente, falando-se de milhares e, possivelmente, de centenas de milhares de pessoas.<br \/>\nNas redes sociais, em particular no Facebook, este discurso \u00e9 vis\u00edvel de forma recorrente. N\u00e3o se trata de &#8220;bots&#8221;, contas automatizadas, mas de utilizadores reais: professores universit\u00e1rios, jornalistas, dirigentes sindicais e at\u00e9 respons\u00e1veis pol\u00edticos envolvidos na discuss\u00e3o de programas de desenvolvimento do pa\u00eds, tanto na pol\u00edtica interna como externa.<br \/>\nNeste espa\u00e7o p\u00fablico digital, repetem-se narrativas sobre &#8220;nazis ucranianos&#8221;, sobre um &#8220;presidente ditatorial&#8221; na Ucr\u00e2nia e sobre a suposta &#8220;grandeza da R\u00fassia e de Vladimir Putin&#8221;.<br \/>\nA blogger Tita Alvarez, com cerca de 12 mil seguidores e quase 5 mil amigos, \u00e9 um dos exemplos mais expressivos deste fen\u00f3meno. O seu caso \u00e9 revelador em v\u00e1rios n\u00edveis, desde os textos e imagens publicados at\u00e9 \u00e0 rede de contactos, que reproduz em grande medida o mesmo discurso, marcado por narrativas de propaganda pr\u00f3-Kremlin. As publica\u00e7\u00f5es na sua p\u00e1gina reproduzem, em portugu\u00eas, declara\u00e7\u00f5es da embaixada russa em Portugal, com conte\u00fados que enaltecem Vladimir Putin e a chamada &#8220;Armada Vermelha&#8221;.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/003.-tita-alvarez-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32850 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/003.-tita-alvarez-1.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"673\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/004.-tita-alvarez-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32852 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/004.-tita-alvarez-2.jpg\" alt=\"\" width=\"737\" height=\"736\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/005.-tita-alvarez-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32853 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/005.-tita-alvarez-3.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"719\" \/><\/a><\/p>\n<p>E n\u00e3o se trata de uma pl\u00eaiade da velha guarda &#8220;leninista&#8221;, mas sim de uma gera\u00e7\u00e3o jovem que, alegadamente, construir\u00e1 o futuro da Europa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/006.-\u0442\u0456\u0442\u0430.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32854 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/006.-\u0442\u0456\u0442\u0430.jpg\" alt=\"\" width=\"675\" height=\"900\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/007_tita.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32855 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/007_tita.jpg\" alt=\"\" width=\"875\" height=\"268\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que esta gera\u00e7\u00e3o seja influenciada por figuras apresentadas como &#8220;professores&#8221;, como Dorinda Castro, cujo perfil indica liga\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;Universidade de Lisboa&#8221;. Na p\u00e1gina em causa surgem refer\u00eancias ao &#8220;9 de Maio&#8221;, bem como manifesta\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 agress\u00e3o militar da R\u00fassia e \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o ilegal da Crimeia e das chamadas &#8220;rep\u00fablicas populares&#8221;, apresentadas como se fossem conquistas leg\u00edtimas do Estado agressor.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/008.-dorinda-castro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32856 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/008.-dorinda-castro.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"451\" \/><\/a><\/p>\n<p>Mais uma vez, surgem milhares de &#8220;amigos&#8221; com os mesmos valores, abertamente pr\u00f3-Putin. Em muitos perfis repetem-se as mesmas express\u00f5es: &#8220;Nova R\u00fassia&#8221;, (em russo: &#8220;\u041d\u043e\u0432\u043e\u0440\u043e\u0441\u0441\u0438\u044f&#8221;, &#8220;Novorossiya&#8221;) e &#8220;regime do Maidan&#8221;, como se fossem copiadas de um \u00fanico molde.<\/p>\n<p>Trata-se de uma exemplar &#8220;continuidade de gera\u00e7\u00f5es&#8221;, sem grande surpresa, t\u00e3o bem alinhada e assente na reprodu\u00e7\u00e3o das mesmas narrativas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/009.-Dorinda-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32858 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/009.-Dorinda-3.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"445\" \/><\/a><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Gomes, com 52 mil seguidores, refere-se \u00e0 &#8220;nova regi\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Russa&#8221;, apresentando Mariupol, cidade ocupada e severamente destru\u00edda, como parte das &#8220;novas regi\u00f5es da Federa\u00e7\u00e3o Russa&#8221;.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/010_Joao-Gomes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32859 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/010_Joao-Gomes.jpg\" alt=\"\" width=\"769\" height=\"696\" \/><\/a><\/p>\n<p>E tamb\u00e9m aqui surge o &#8220;Regimento Imortal&#8221; (&#8220;Bessmertnyi Polk&#8221;).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/011_Joao-Gomes-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32860 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/011_Joao-Gomes-2.jpg\" alt=\"\" width=\"775\" height=\"714\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/012_danich.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32862 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/012_danich.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"900\" \/><\/a><\/p>\n<p>Miguel Castelo Branco, mestre em Cultura e Pol\u00edtica pela Universidade Nova de Lisboa, \u00e9 mais um acad\u00e9mico ligado a uma Universidade lisboeta. Trabalha na Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, a maior e mais rica funda\u00e7\u00e3o de Portugal, desempenhando fun\u00e7\u00f5es no dom\u00ednio cultural, sob bandeiras russas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/013_Miguel-Castelo-Branco.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32864 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/013_Miguel-Castelo-Branco.jpg\" alt=\"\" width=\"1390\" height=\"753\" \/><\/a><\/p>\n<p>M\u00e1rio Cunha, tamb\u00e9m professor universit\u00e1rio, leciona no ISLA Gaia. Transmite, por assim dizer, &#8220;o saber, o bem e o eterno&#8221; sob s\u00edmbolos associados ao Estado russo. Em qualquer dos casos, colegas, amigos e o c\u00edrculo acad\u00e9mico destas pessoas conhecem estas posi\u00e7\u00f5es e, ou as apoiam, ou optam por as tolerar, frequentemente em nome de uma no\u00e7\u00e3o de &#8220;toler\u00e2ncia&#8221; entendida de forma ampla e indiscriminada.<\/p>\n<h2>&#8220;Valores do Kremlin sob o som do oceano&#8221;<\/h2>\n<p>Esta lista poderia continuar por muito mais tempo. Ainda assim, h\u00e1 um ponto essencial que n\u00e3o pode ser ignorado: os pr\u00f3prios cidad\u00e3os russos e os seus simpatizantes.<\/p>\n<p>Segundo dados oficiais, vivem em Portugal cerca de cinco mil cidad\u00e3os russos. Este n\u00famero, no entanto, n\u00e3o inclui aqueles que j\u00e1 adquiriram a nacionalidade portuguesa, cujos dados n\u00e3o est\u00e3o, infelizmente, dispon\u00edveis em fontes p\u00fablicas.<br \/>\n\u00c9 precisamente esta comunidade que, segundo esta leitura, pode representar um risco acrescido para um pa\u00eds de pequena dimens\u00e3o. Isto porque, em 14 de Abril de 2026, a Duma Estatal da R\u00fassia aprovou, em primeira leitura, um projecto de Lei sobre a aplica\u00e7\u00e3o extraterritorial de medidas militares para &#8220;proteger cidad\u00e3os russos&#8221; de tribunais estrangeiros, incluindo refer\u00eancias a tribunais internacionais e \u00e0 chamada &#8220;shadow fleet&#8221; (&#8220;frota paralela&#8221;).<br \/>\nDesta forma, o regime russo passaria a dispor, de acordo com essa proposta, de um enquadramento legal que poderia ser interpretado como permitindo a interven\u00e7\u00e3o de for\u00e7as russas em pa\u00edses onde cidad\u00e3os russos fossem alegadamente alvo de persegui\u00e7\u00e3o, deten\u00e7\u00e3o ou processos judiciais.<br \/>\nA lista de russos com posi\u00e7\u00f5es agressivas e apoiantes de Putin \u00e9 igualmente extensa, mas vale a pena destacar apenas alguns exemplos mais expressivos.<\/p>\n<p>O grupo de Facebook \u041d\u043e\u0432\u043e\u0441\u0442\u0438 \u041f\u043e\u0440\u0442\u0443\u0433\u0430\u043b\u0438\u0438 (&#8220;Noticias de Portugal&#8221;), fundado por Maksim Danich (\u041c\u0430\u043a\u0441\u0438\u043c \u0414\u0430\u043d\u0438\u0447), tem sido referido em v\u00e1rias investiga\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas devido a comportamentos considerados agressivos na defesa de Vladimir Putin e a publica\u00e7\u00f5es cr\u00edticas ou ofensivas dirigidas a cidad\u00e3os ucranianos.<\/p>\n<p>O seu perfil encontra-se, infelizmente, privado, mas a actividade di\u00e1ria no grupo &#8220;Noticias de Portugal&#8221; (&#8220;\u041d\u043e\u0432\u043e\u0441\u0442\u0438 \u041f\u043e\u0440\u0442\u0443\u0433\u0430\u043b\u0438\u0438&#8221;), actualmente p\u00fablico, permite tra\u00e7ar facilmente o seu posicionamento.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/014_danich_3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32865 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/014_danich_3.jpg\" alt=\"\" width=\"782\" height=\"770\" \/><\/a><\/p>\n<p>Foi precisamente a este caso que o jornalista portugu\u00eas Lu\u00eds Ribeiro, se referiu, tendo descrito publicamente Danich como um alegado agente russo em territ\u00f3rio portugu\u00eas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/015_danich_4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32866 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/015_danich_4.jpg\" alt=\"\" width=\"857\" height=\"894\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/016_danich_6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32867 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/016_danich_6.jpg\" alt=\"\" width=\"862\" height=\"798\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nesta captura de ecr\u00e3 surgem amea\u00e7as dirigidas a cidad\u00e3os portugueses que combateram pela Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Segue-se, em baixo, um ataque de natureza xen\u00f3foba dirigido ao antigo primeiro-ministro de Portugal e, desde 1 de dezembro de 2024, presidente do Conselho Europeu, Ant\u00f3nio Costa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/017_danich_7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32868 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/017_danich_7.jpg\" alt=\"\" width=\"694\" height=\"872\" \/><\/a><\/p>\n<p>Foi o pr\u00f3prio Danich quem divulgou no Facebook o an\u00fancio da &#8220;Marcha do Regimento Imortal&#8221; em Lisboa, tema que j\u00e1 tinha sido parcialmente abordado na an\u00e1lise anterior.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/018_news.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32869 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/018_news.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"581\" \/><\/a><\/p>\n<p>Assim, a marcha associada ao fen\u00f3meno do &#8220;pobedob\u00e9ssie&#8221; acabou por se realizar. Os ucranianos, naturalmente, n\u00e3o ficaram indiferentes.<\/p>\n<div style=\"width: 476px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-1364-2\" width=\"476\" height=\"846\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/3.mp4?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/3.mp4\">https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/3.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/019_marsh.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32870 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/019_marsh.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"771\" \/><\/a><\/p>\n<p>Aqui est\u00e3o aqueles que apreciam o sol portugu\u00eas e, em paralelo, aderem \u00e0 narrativa do Kremlin e do regime de Putin. A coordenadora do &#8220;Regimento Imortal&#8221; em Lisboa \u00e9 Zhanna Kuncheva, que no Facebook utiliza o nome Janna Gorea.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/020_kuncheva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32871 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/020_kuncheva.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"880\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/021.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32872 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/021.jpg\" alt=\"\" width=\"772\" height=\"785\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/022.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32873 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/022.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"621\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/023.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-32874 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/023.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" \/><\/a><\/p>\n<h2>P\u00f3s-escrito ao &#8220;humanismo cansado&#8221;<\/h2>\n<p>A toler\u00e2ncia n\u00e3o deve ser usada como escudo para a propaganda do \u00f3dio e da viol\u00eancia. Os valores europeus perdem o seu sentido se a sociedade n\u00e3o estiver disposta a defend\u00ea-los n\u00e3o apenas no discurso, mas tamb\u00e9m na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel defender os valores europeus e, ao mesmo tempo, conviver de forma indiferente com quem apoia o agressor. O sil\u00eancio e a indiferen\u00e7a nestas mat\u00e9rias s\u00e3o tamb\u00e9m formas de escolha. O perigo desta dicotomia na Europa n\u00e3o reside apenas na diverg\u00eancia de opini\u00f5es, mas no facto de uma fractura social profunda poder enfraquecer a capacidade de ac\u00e7\u00e3o conjunta dos pa\u00edses democr\u00e1ticos em momentos de crise.<\/p>\n<p>Uma sociedade dividida torna-se mais vulner\u00e1vel \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, e tanto as not\u00edcias falsas como a propaganda ganham maior efic\u00e1cia. No geral, este fen\u00f3meno corr\u00f3i a confian\u00e7a nos media, na ci\u00eancia, nos processos eleitorais e nas institui\u00e7\u00f5es do Estado. Acaba por se formar um ciclo que se autoalimenta.<\/p>\n<p>Uma crise moral e de valores abre espa\u00e7o para que a R\u00fassia explore o princ\u00edpio do &#8220;dividir para reinar&#8221;. V\u00e1rios estudos e investiga\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas t\u00eam vindo a apontar para um aumento das chamadas amea\u00e7as h\u00edbridas na Europa.<br \/>\nNeste contexto, a percep\u00e7\u00e3o de hesita\u00e7\u00e3o e de falta de coes\u00e3o pol\u00edtica, ou a dificuldade da Europa em afirmar-se como uma frente unida perante o agressor, \u00e9 frequentemente interpretada por regimes autorit\u00e1rios como um sinal de fraqueza. Isso aumenta o risco de novos conflitos, ciberataques, interfer\u00eancia em processos eleitorais e outras formas de guerra h\u00edbrida e convencional.<br \/>\nPor isso, imp\u00f5e-se uma reavalia\u00e7\u00e3o urgente n\u00e3o apenas dos discursos dirigidos \u00e0s audi\u00eancias internas e externas, mas tamb\u00e9m uma an\u00e1lise rigorosa e a adop\u00e7\u00e3o de medidas adequadas por parte das autoridades competentes e dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nS\u00f3 a conjuga\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os poder\u00e1 responder a estas amea\u00e7as e refor\u00e7ar a defesa da democracia e do Direito Internacional.<\/p>\n<hr \/>\n<p><b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft ls-is-cached lazyloaded\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2020\/10\/%D1%81%D1%81.jpg\" width=\"100\" height=\"48\" data-src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2020\/10\/%D1%81%D1%81.jpg\" \/><\/b>O artigo foi preparado pela volunt\u00e1ria Helena Sofia da Costa especificamente para os leitores do site da Comunidade Internacional de informa\u00e7\u00e3o InformNapalm; as tradu\u00e7\u00f5es para ingl\u00eas e portugu\u00eas foram realizadas pela autora.<\/p>\n<p>Est\u00e3o convidados a usar essas informa\u00e7\u00f5es nas vossas p\u00e1ginas da web. Todos os materiais do site InformNapalm.org t\u00eam Licen\u00e7a de Atribui\u00e7\u00e3o CC BY, o que torna mais f\u00e1cil a jornalistas e bloggers de todo o mundo espalharem a palavra. P\u00e1ginas da InformNapalm: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/informnapalm24\"><span style=\"font-weight: 400\">Facebook<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> \/ <\/span><a href=\"https:\/\/twitter.com\/InformNapalm\"><span style=\"font-weight: 400\">\u0422witter<\/span><\/a> <span style=\"font-weight: 400\">\/<\/span> <a href=\"https:\/\/t.me\/informnapalm\"><span style=\"font-weight: 400\">Telegram<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\/ <\/span><a href=\"https:\/\/sl8.online\/invite\/WrrzJQ\"><span style=\"font-weight: 400\">Slate (Sl8)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft ls-is-cached lazyloaded\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/01\/InformNapalm_logo_07.png\" width=\"105\" height=\"46\" data-src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/01\/InformNapalm_logo_07.png\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Dia da Vit\u00f3ria&#8221; exp\u00f5e hoje uma dolorosa dicotomia. 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N\u00e3o se trata de uma \"opini\u00e3o diferente\", nem de liberdade de express\u00e3o no sentido democr\u00e1tico do termo; trata-se da toler\u00e2ncia de uma ideologia que trouxe morte, ocupa\u00e7\u00e3o e sofrimento a milh\u00f5es de ucranianos.\r\n\r\nA redac\u00e7\u00e3o da InformNapalm j\u00e1 havia dado a conhecer aos leitores a actividade da Igreja do Patriarcado de Moscovo em territ\u00f3rio portugu\u00eas, bem como a obten\u00e7\u00e3o de autoriza\u00e7\u00e3o para a aquisi\u00e7\u00e3o de um amplo terreno numa zona costeira de elevado valor na \u00e1rea de Lisboa.\r\n\r\nNo entanto, a actividade de propagandistas do Kremlin e de meios pr\u00f3-Kremlin n\u00e3o se limita a isso. Por exemplo, o hino da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica chegou a ser entoado em voz alta no dia 1 de Maio nas ruas de Lisboa.\r\n\r\n[video width=\"720\" height=\"1280\" mp4=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/1.mp4\"][\/video]\r\n\r\nA atra\u00e7\u00e3o pela cultura sovi\u00e9tica e pelo regime de Estaline, respons\u00e1vel pela morte de milh\u00f5es de pessoas, o que representa, afinal? Cegueira pol\u00edtica? Ingenuidade? Ou uma forma de valoriza\u00e7\u00e3o de ideias associadas a regimes ditatoriais? S\u00e3o quest\u00f5es, em grande medida, de natureza ret\u00f3rica.\r\n<h2>\"Pervers\u00e3o de uma ideia\"<\/h2>\r\nO mundo j\u00e1 incorporou o conceito de \"pobiedob\u00e9ssie\" (em russo: \u043f\u043e\u0431\u0435\u0434\u043e\u0431\u0435\u0441\u0438\u0435). Trata-se de um termo depreciativo usado para descrever o culto em torno do chamado \"Dia da Vit\u00f3ria\" na R\u00fassia contempor\u00e2nea. A palavra resulta da jun\u00e7\u00e3o de \"vit\u00f3ria\" (pobeda) e \"obsess\u00e3o\", \"fanatismo\" (bessie), sugerindo um estado de exalta\u00e7\u00e3o quase fan\u00e1tica. Este fen\u00f3meno traduz-se num culto da morte e na glorifica\u00e7\u00e3o da perda de vidas humanas ao servi\u00e7o do regime do Kremlin, apresentada como motivo de orgulho coletivo.\r\n\r\n<hr \/>\r\n\r\n*Nota do autor\r\n\r\nO termo russo \"pobedobessie\" (em russo: \u043f\u043e\u0431\u0435\u0434\u043e\u0431\u0435\u0441\u0438\u0435) \u00e9 um neologismo pejorativo usado de forma cr\u00edtica para descrever a transforma\u00e7\u00e3o do chamado \"Dia da Vit\u00f3ria\" na R\u00fassia num culto altamente militarizado e emocionalmente carregado. Neste contexto, a mem\u00f3ria da Segunda Guerra Mundial \u00e9 frequentemente instrumentalizada pelo Estado para fins de propaganda, exalta\u00e7\u00e3o militar e legitima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\r\n\r\nQuanto \u00e0 sua origem, a palavra resulta da jun\u00e7\u00e3o de \"pobeda\" (vit\u00f3ria) e do elemento \"-bessie\" (-\u0431\u0435\u0441\u0438\u0435), associado a uma ideia de obsess\u00e3o ou fanatismo. Por sua vez, \"bess\" (\u0431\u0435\u0441) em russo significa \"dem\u00f3nio\", \"esp\u00edrito maligno\" ou \"diabo\", na tradi\u00e7\u00e3o religiosa e folcl\u00f3rica eslava. O sufixo \"-\u0431\u0435\u0441\u0438\u0435\" \u00e9 utilizado para descrever estados de fanatismo, obsess\u00e3o ou \"posse\" simb\u00f3lica, frequentemente com uma conota\u00e7\u00e3o negativa ou patol\u00f3gica.\r\n\r\nAssim, \"pobedobessie\" pode ser traduzido, de forma literal e interpretativa, como \"posse demon\u00edaca\", fanatismo extremo, \"obsess\u00e3o fan\u00e1tica pela vit\u00f3ria\", sugerindo um comportamento coletivo marcado por uma dimens\u00e3o quase ritualizada ou irracional.\r\n\r\nNa l\u00edngua russa, constru\u00e7\u00f5es com o sufixo -\u0431\u0435\u0441\u0438\u0435 s\u00e3o por vezes usadas de forma ir\u00f3nica ou cr\u00edtica, como em:\r\ntsarobesie (culto do czar);\r\noutros usos sat\u00edricos semelhantes em contexto pol\u00edtico ou social.\r\n\r\n<hr \/>\r\n\r\nEstamos perante uma militariza\u00e7\u00e3o agressiva da mem\u00f3ria da Segunda Guerra Mundial e a transforma\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia hist\u00f3rica e da lembran\u00e7a dos mortos em instrumento de propaganda estatal. A isso soma-se a normaliza\u00e7\u00e3o de uma l\u00f3gica de poder assente no lema \"podemos repetir\", na exalta\u00e7\u00e3o da for\u00e7a militar e na nostalgia de uma grandeza imperial.\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/001_vdovi.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32846 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/001_vdovi.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"473\" \/><\/a>\r\n<h2>A \u2018Marcha das vi\u00favas\u2019 da chamada \u2018opera\u00e7\u00e3o militar especial\u2019 (SVO)\"<\/h2>\r\nA R\u00fassia utiliza a vit\u00f3ria conjunta das for\u00e7as aliadas em 1945 para justificar a sua actual agress\u00e3o contra pa\u00edses vizinhos como a Mold\u00e1via, a Ge\u00f3rgia e, neste momento, a Ucr\u00e2nia. Moscovo procura impor a ideia de que possui um \"direito especial\" ao uso da viol\u00eancia, com base no papel da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica na Segunda Guerra Mundial. Na R\u00fassia, a mem\u00f3ria da guerra deixa de ser um momento de luto e de homenagem \u00e0s v\u00edtimas, transformando-se num instrumento de manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, de militariza\u00e7\u00e3o da sociedade e de culto do Estado.\r\n\r\nMais ainda, o lema \"podemos repetir\" (em russo: \"\u043c\u043e\u0436\u0435\u043c \u043f\u043e\u0432\u0442\u043e\u0440\u0438\u0442\u044c\") adquiriu um significado que, no contexto de um Estado de natureza claramente autorit\u00e1ria, assume contornos de exalta\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e do poder militar. N\u00e3o se trata aqui da figura do defensor, mas da glorifica\u00e7\u00e3o do agressor e do ocupante. Neste enquadramento, o 9 de Maio deixa de ser apenas sobre os \"av\u00f4s que combateram\" e passa tamb\u00e9m a ser associado aos soldados russos mortos na guerra contra a Ucr\u00e2nia.\r\n\r\nNo que diz respeito ao 9 de Maio russo (importa recordar que grande parte do mundo civilizado assinala a vit\u00f3ria sobre o nazismo a 8 de Maio) este dia h\u00e1 muito que deixou de ser apenas uma data de mem\u00f3ria daqueles que lutaram contra o nazismo.\r\n\r\nNa Internet circulam, com frequ\u00eancia, fotografias e v\u00eddeos que mostram participantes de desfiles associados ao fen\u00f3meno do \"pobedob\u00e9ssie\" em v\u00e1rias cidades da Federa\u00e7\u00e3o Russa a transportar retratos de cidad\u00e3os russos mortos na guerra contra a Ucr\u00e2nia, designada em Moscovo como \"opera\u00e7\u00e3o militar especial\" (em russo: \u0421\u0412\u041e, SVO).\r\n\r\nActualmente, o chamado \"Regimento Imortal\" (\"Bessmertnyi Polk\") passou tamb\u00e9m a integrar familiares de pessoas enviadas para uma guerra de agress\u00e3o contra a Ucr\u00e2nia, filhos, irm\u00e3os ou maridos. Entre os retratos exibidos, surgem n\u00e3o apenas figuras ligadas \u00e0 mem\u00f3ria da Segunda Guerra Mundial, mas tamb\u00e9m indiv\u00edduos que morreram em territ\u00f3rio ucraniano na sequ\u00eancia da invas\u00e3o russa.\r\n\r\nDesde o in\u00edcio da invas\u00e3o, em Fevereiro de 2022, estes desfiles passaram igualmente a incluir militares que participaram directamente na guerra contra a Ucr\u00e2nia. Muitos desses retratos est\u00e3o assinalados com o s\u00edmbolo \"Z\", associado \u00e0s for\u00e7as russas envolvidas na ocupa\u00e7\u00e3o.\r\n\r\nDeste modo, o que inicialmente era apresentado como uma homenagem aos combatentes da Segunda Guerra Mundial, foi sendo progressivamente reconfigurado, passando a incluir tamb\u00e9m os mortos numa guerra contempor\u00e2nea de agress\u00e3o. Neste contexto, a mem\u00f3ria hist\u00f3rica \u00e9 apropriada e reinterpretada \u00e0 luz da actual pol\u00edtica militar do Estado russo.\r\n<h2>Quando a ideia se transforma em arma<\/h2>\r\nSer\u00e1 que o cidad\u00e3o europeu comum tem consci\u00eancia disto? E, quando tem, que leitura faz dessa realidade?\r\n\r\nInfelizmente, nem todos na Europa (e importa sublinhar a Europa, uma vez que a guerra russo-ucraniana decorre no pr\u00f3prio centro do continente) disp\u00f5em de instrumentos cr\u00edticos suficientes para interpretar de forma clara a amea\u00e7a russa, tanto para a Ucr\u00e2nia como para a pr\u00f3pria Europa.\r\n\r\nAp\u00f3s a vit\u00f3ria da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a chamada \"liberta\u00e7\u00e3o\", aquilo que o regime sovi\u00e9tico trouxe n\u00e3o foi liberdade, mas sim o sistema do Gulag. Auschwitz e Buchenwald n\u00e3o deram lugar \u00e0 liberdade, mas sim a campos sovi\u00e9ticos, deporta\u00e7\u00f5es, repress\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas no territ\u00f3rio da pr\u00f3pria URSS, mas tamb\u00e9m nos pa\u00edses da Europa de Leste sob a influ\u00eancia do Pacto de Vars\u00f3via.\r\n\r\nCom o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, este fen\u00f3meno n\u00e3o desapareceu. Pelo contr\u00e1rio, transformou-se, enraizou-se e encontrou novas formas de express\u00e3o. Um regime totalit\u00e1rio cedeu lugar a outro, mantendo estruturas e l\u00f3gicas de poder que persistem sob diferentes formas.\r\nEis o verdadeiro retrato do apoio a Putin e aos seus mitos sobre a guerra.\r\n\r\nEm 2026, pela primeira vez, militares da Coreia do Norte participaram no desfile em Moscovo. Um facto que, ironicamente, pode ser \"celebrado\" pelos pr\u00f3prios russos. Talvez seja agora altura de come\u00e7arem a aprender coreano.\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/002_korean.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32848 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/002_korean.jpg\" alt=\"\" width=\"764\" height=\"509\" \/><\/a>\r\n\r\nFotografia: Forbes\r\n<h2>Entre o humanismo e a indiferen\u00e7a<\/h2>\r\nPerante estes factos, a sociedade europeia deveria reflectir de forma mais profunda. Em caso algum deveria permitir que ideias associadas ao putinismo ou ao estalinismo ganhem espa\u00e7o ou legitimidade nos seus territ\u00f3rios nacionais.\r\n\r\nSim, a sociedade de Portugal deve tamb\u00e9m reflectir de forma s\u00e9ria sobre quem integra no seu espa\u00e7o p\u00fablico e sobre os valores que permite que se enra\u00edzem. N\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel construir uma democracia assente no humanismo e na liberdade enquanto se ignoram ou relativizam posi\u00e7\u00f5es que apoiam a agress\u00e3o, o imperialismo e a justifica\u00e7\u00e3o da morte de civis inocentes.\r\n\r\nH\u00e1 um n\u00famero significativo de cidad\u00e3os portugueses que manifesta apoio aberto \u00e0 R\u00fassia. A dimens\u00e3o deste fen\u00f3meno \u00e9, para muitos, surpreendente, falando-se de milhares e, possivelmente, de centenas de milhares de pessoas.\r\nNas redes sociais, em particular no Facebook, este discurso \u00e9 vis\u00edvel de forma recorrente. N\u00e3o se trata de \"bots\", contas automatizadas, mas de utilizadores reais: professores universit\u00e1rios, jornalistas, dirigentes sindicais e at\u00e9 respons\u00e1veis pol\u00edticos envolvidos na discuss\u00e3o de programas de desenvolvimento do pa\u00eds, tanto na pol\u00edtica interna como externa.\r\nNeste espa\u00e7o p\u00fablico digital, repetem-se narrativas sobre \"nazis ucranianos\", sobre um \"presidente ditatorial\" na Ucr\u00e2nia e sobre a suposta \"grandeza da R\u00fassia e de Vladimir Putin\".\r\nA blogger Tita Alvarez, com cerca de 12 mil seguidores e quase 5 mil amigos, \u00e9 um dos exemplos mais expressivos deste fen\u00f3meno. O seu caso \u00e9 revelador em v\u00e1rios n\u00edveis, desde os textos e imagens publicados at\u00e9 \u00e0 rede de contactos, que reproduz em grande medida o mesmo discurso, marcado por narrativas de propaganda pr\u00f3-Kremlin. As publica\u00e7\u00f5es na sua p\u00e1gina reproduzem, em portugu\u00eas, declara\u00e7\u00f5es da embaixada russa em Portugal, com conte\u00fados que enaltecem Vladimir Putin e a chamada \"Armada Vermelha\".\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/003.-tita-alvarez-1.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32850 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/003.-tita-alvarez-1.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"673\" \/><\/a>\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/004.-tita-alvarez-2.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32852 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/004.-tita-alvarez-2.jpg\" alt=\"\" width=\"737\" height=\"736\" \/><\/a>\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/005.-tita-alvarez-3.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32853 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/005.-tita-alvarez-3.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"719\" \/><\/a>\r\n\r\nE n\u00e3o se trata de uma pl\u00eaiade da velha guarda \"leninista\", mas sim de uma gera\u00e7\u00e3o jovem que, alegadamente, construir\u00e1 o futuro da Europa.\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/006.-\u0442\u0456\u0442\u0430.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32854 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/006.-\u0442\u0456\u0442\u0430.jpg\" alt=\"\" width=\"675\" height=\"900\" \/><\/a>\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/007_tita.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32855 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/007_tita.jpg\" alt=\"\" width=\"875\" height=\"268\" \/><\/a>\r\n\r\n\u00c9 prov\u00e1vel que esta gera\u00e7\u00e3o seja influenciada por figuras apresentadas como \"professores\", como Dorinda Castro, cujo perfil indica liga\u00e7\u00e3o \u00e0 \"Universidade de Lisboa\". Na p\u00e1gina em causa surgem refer\u00eancias ao \"9 de Maio\", bem como manifesta\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 agress\u00e3o militar da R\u00fassia e \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o ilegal da Crimeia e das chamadas \"rep\u00fablicas populares\", apresentadas como se fossem conquistas leg\u00edtimas do Estado agressor.\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/008.-dorinda-castro.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32856 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/008.-dorinda-castro.jpg\" alt=\"\" width=\"1300\" height=\"451\" \/><\/a>\r\n\r\nMais uma vez, surgem milhares de \"amigos\" com os mesmos valores, abertamente pr\u00f3-Putin. Em muitos perfis repetem-se as mesmas express\u00f5es: \"Nova R\u00fassia\", (em russo: \"\u041d\u043e\u0432\u043e\u0440\u043e\u0441\u0441\u0438\u044f\", \"Novorossiya\") e \"regime do Maidan\", como se fossem copiadas de um \u00fanico molde.\r\n\r\nTrata-se de uma exemplar \"continuidade de gera\u00e7\u00f5es\", sem grande surpresa, t\u00e3o bem alinhada e assente na reprodu\u00e7\u00e3o das mesmas narrativas.\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/009.-Dorinda-3.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32858 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/009.-Dorinda-3.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"445\" \/><\/a>\r\n\r\nJo\u00e3o Gomes, com 52 mil seguidores, refere-se \u00e0 \"nova regi\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Russa\", apresentando Mariupol, cidade ocupada e severamente destru\u00edda, como parte das \"novas regi\u00f5es da Federa\u00e7\u00e3o Russa\".\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/010_Joao-Gomes.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32859 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/010_Joao-Gomes.jpg\" alt=\"\" width=\"769\" height=\"696\" \/><\/a>\r\n\r\nE tamb\u00e9m aqui surge o \"Regimento Imortal\" (\"Bessmertnyi Polk\").\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/011_Joao-Gomes-2.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32860 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/011_Joao-Gomes-2.jpg\" alt=\"\" width=\"775\" height=\"714\" \/><\/a>\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/012_danich.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32862 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/012_danich.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"900\" \/><\/a>\r\n\r\nMiguel Castelo Branco, mestre em Cultura e Pol\u00edtica pela Universidade Nova de Lisboa, \u00e9 mais um acad\u00e9mico ligado a uma Universidade lisboeta. Trabalha na Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, a maior e mais rica funda\u00e7\u00e3o de Portugal, desempenhando fun\u00e7\u00f5es no dom\u00ednio cultural, sob bandeiras russas.\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/013_Miguel-Castelo-Branco.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32864 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/013_Miguel-Castelo-Branco.jpg\" alt=\"\" width=\"1390\" height=\"753\" \/><\/a>\r\n\r\nM\u00e1rio Cunha, tamb\u00e9m professor universit\u00e1rio, leciona no ISLA Gaia. Transmite, por assim dizer, \"o saber, o bem e o eterno\" sob s\u00edmbolos associados ao Estado russo. Em qualquer dos casos, colegas, amigos e o c\u00edrculo acad\u00e9mico destas pessoas conhecem estas posi\u00e7\u00f5es e, ou as apoiam, ou optam por as tolerar, frequentemente em nome de uma no\u00e7\u00e3o de \"toler\u00e2ncia\" entendida de forma ampla e indiscriminada.\r\n<h2>\"Valores do Kremlin sob o som do oceano\"<\/h2>\r\nEsta lista poderia continuar por muito mais tempo. Ainda assim, h\u00e1 um ponto essencial que n\u00e3o pode ser ignorado: os pr\u00f3prios cidad\u00e3os russos e os seus simpatizantes.\r\n\r\nSegundo dados oficiais, vivem em Portugal cerca de cinco mil cidad\u00e3os russos. Este n\u00famero, no entanto, n\u00e3o inclui aqueles que j\u00e1 adquiriram a nacionalidade portuguesa, cujos dados n\u00e3o est\u00e3o, infelizmente, dispon\u00edveis em fontes p\u00fablicas.\r\n\u00c9 precisamente esta comunidade que, segundo esta leitura, pode representar um risco acrescido para um pa\u00eds de pequena dimens\u00e3o. Isto porque, em 14 de Abril de 2026, a Duma Estatal da R\u00fassia aprovou, em primeira leitura, um projecto de Lei sobre a aplica\u00e7\u00e3o extraterritorial de medidas militares para \"proteger cidad\u00e3os russos\" de tribunais estrangeiros, incluindo refer\u00eancias a tribunais internacionais e \u00e0 chamada \"shadow fleet\" (\"frota paralela\").\r\nDesta forma, o regime russo passaria a dispor, de acordo com essa proposta, de um enquadramento legal que poderia ser interpretado como permitindo a interven\u00e7\u00e3o de for\u00e7as russas em pa\u00edses onde cidad\u00e3os russos fossem alegadamente alvo de persegui\u00e7\u00e3o, deten\u00e7\u00e3o ou processos judiciais.\r\nA lista de russos com posi\u00e7\u00f5es agressivas e apoiantes de Putin \u00e9 igualmente extensa, mas vale a pena destacar apenas alguns exemplos mais expressivos.\r\n\r\nO grupo de Facebook \u041d\u043e\u0432\u043e\u0441\u0442\u0438 \u041f\u043e\u0440\u0442\u0443\u0433\u0430\u043b\u0438\u0438 (\"Noticias de Portugal\"), fundado por Maksim Danich (\u041c\u0430\u043a\u0441\u0438\u043c \u0414\u0430\u043d\u0438\u0447), tem sido referido em v\u00e1rias investiga\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas devido a comportamentos considerados agressivos na defesa de Vladimir Putin e a publica\u00e7\u00f5es cr\u00edticas ou ofensivas dirigidas a cidad\u00e3os ucranianos.\r\n\r\nO seu perfil encontra-se, infelizmente, privado, mas a actividade di\u00e1ria no grupo \"Noticias de Portugal\" (\"\u041d\u043e\u0432\u043e\u0441\u0442\u0438 \u041f\u043e\u0440\u0442\u0443\u0433\u0430\u043b\u0438\u0438\"), actualmente p\u00fablico, permite tra\u00e7ar facilmente o seu posicionamento.\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/014_danich_3.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32865 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/014_danich_3.jpg\" alt=\"\" width=\"782\" height=\"770\" \/><\/a>\r\n\r\nFoi precisamente a este caso que o jornalista portugu\u00eas Lu\u00eds Ribeiro, se referiu, tendo descrito publicamente Danich como um alegado agente russo em territ\u00f3rio portugu\u00eas.\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/015_danich_4.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32866 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/015_danich_4.jpg\" alt=\"\" width=\"857\" height=\"894\" \/><\/a>\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/016_danich_6.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32867 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/016_danich_6.jpg\" alt=\"\" width=\"862\" height=\"798\" \/><\/a>\r\n\r\nNesta captura de ecr\u00e3 surgem amea\u00e7as dirigidas a cidad\u00e3os portugueses que combateram pela Ucr\u00e2nia.\r\n\r\nSegue-se, em baixo, um ataque de natureza xen\u00f3foba dirigido ao antigo primeiro-ministro de Portugal e, desde 1 de dezembro de 2024, presidente do Conselho Europeu, Ant\u00f3nio Costa.\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/017_danich_7.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32868 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/017_danich_7.jpg\" alt=\"\" width=\"694\" height=\"872\" \/><\/a>\r\n\r\nFoi o pr\u00f3prio Danich quem divulgou no Facebook o an\u00fancio da \"Marcha do Regimento Imortal\" em Lisboa, tema que j\u00e1 tinha sido parcialmente abordado na an\u00e1lise anterior.\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/018_news.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32869 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/018_news.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"581\" \/><\/a>\r\n\r\nAssim, a marcha associada ao fen\u00f3meno do \"pobedob\u00e9ssie\" acabou por se realizar. Os ucranianos, naturalmente, n\u00e3o ficaram indiferentes.\r\n\r\n[video width=\"476\" height=\"846\" mp4=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/3.mp4\"][\/video]\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/019_marsh.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32870 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/019_marsh.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"771\" \/><\/a>\r\n\r\nAqui est\u00e3o aqueles que apreciam o sol portugu\u00eas e, em paralelo, aderem \u00e0 narrativa do Kremlin e do regime de Putin. A coordenadora do \"Regimento Imortal\" em Lisboa \u00e9 Zhanna Kuncheva, que no Facebook utiliza o nome Janna Gorea.\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/020_kuncheva.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32871 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/020_kuncheva.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"880\" \/><\/a>\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/021.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32872 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/021.jpg\" alt=\"\" width=\"772\" height=\"785\" \/><\/a>\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/022.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32873 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/022.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"621\" \/><\/a>\r\n\r\n<a href=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/023.jpg\"><img class=\"alignnone wp-image-32874 size-full\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2026\/05\/023.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" \/><\/a>\r\n<h2>P\u00f3s-escrito ao \"humanismo cansado\"<\/h2>\r\nA toler\u00e2ncia n\u00e3o deve ser usada como escudo para a propaganda do \u00f3dio e da viol\u00eancia. Os valores europeus perdem o seu sentido se a sociedade n\u00e3o estiver disposta a defend\u00ea-los n\u00e3o apenas no discurso, mas tamb\u00e9m na pr\u00e1tica.\r\n\r\nN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel defender os valores europeus e, ao mesmo tempo, conviver de forma indiferente com quem apoia o agressor. O sil\u00eancio e a indiferen\u00e7a nestas mat\u00e9rias s\u00e3o tamb\u00e9m formas de escolha. O perigo desta dicotomia na Europa n\u00e3o reside apenas na diverg\u00eancia de opini\u00f5es, mas no facto de uma fractura social profunda poder enfraquecer a capacidade de ac\u00e7\u00e3o conjunta dos pa\u00edses democr\u00e1ticos em momentos de crise.\r\n\r\nUma sociedade dividida torna-se mais vulner\u00e1vel \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, e tanto as not\u00edcias falsas como a propaganda ganham maior efic\u00e1cia. No geral, este fen\u00f3meno corr\u00f3i a confian\u00e7a nos media, na ci\u00eancia, nos processos eleitorais e nas institui\u00e7\u00f5es do Estado. Acaba por se formar um ciclo que se autoalimenta.\r\n\r\nUma crise moral e de valores abre espa\u00e7o para que a R\u00fassia explore o princ\u00edpio do \"dividir para reinar\". V\u00e1rios estudos e investiga\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas t\u00eam vindo a apontar para um aumento das chamadas amea\u00e7as h\u00edbridas na Europa.\r\nNeste contexto, a percep\u00e7\u00e3o de hesita\u00e7\u00e3o e de falta de coes\u00e3o pol\u00edtica, ou a dificuldade da Europa em afirmar-se como uma frente unida perante o agressor, \u00e9 frequentemente interpretada por regimes autorit\u00e1rios como um sinal de fraqueza. Isso aumenta o risco de novos conflitos, ciberataques, interfer\u00eancia em processos eleitorais e outras formas de guerra h\u00edbrida e convencional.\r\nPor isso, imp\u00f5e-se uma reavalia\u00e7\u00e3o urgente n\u00e3o apenas dos discursos dirigidos \u00e0s audi\u00eancias internas e externas, mas tamb\u00e9m uma an\u00e1lise rigorosa e a adop\u00e7\u00e3o de medidas adequadas por parte das autoridades competentes e dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o.\r\nS\u00f3 a conjuga\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os poder\u00e1 responder a estas amea\u00e7as e refor\u00e7ar a defesa da democracia e do Direito Internacional.\r\n\r\n<hr \/>\r\n\r\n<b><img class=\"alignleft ls-is-cached lazyloaded\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2020\/10\/%D1%81%D1%81.jpg\" width=\"100\" height=\"48\" data-src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2020\/10\/%D1%81%D1%81.jpg\" \/><\/b>O artigo foi preparado pela volunt\u00e1ria Helena Sofia da Costa especificamente para os leitores do site da Comunidade Internacional de informa\u00e7\u00e3o InformNapalm; as tradu\u00e7\u00f5es para ingl\u00eas e portugu\u00eas foram realizadas pela autora.\r\n\r\nEst\u00e3o convidados a usar essas informa\u00e7\u00f5es nas vossas p\u00e1ginas da web. Todos os materiais do site InformNapalm.org t\u00eam Licen\u00e7a de Atribui\u00e7\u00e3o CC BY, o que torna mais f\u00e1cil a jornalistas e bloggers de todo o mundo espalharem a palavra. P\u00e1ginas da InformNapalm: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/informnapalm24\"><span style=\"font-weight: 400\">Facebook<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> \/ <\/span><a href=\"https:\/\/twitter.com\/InformNapalm\"><span style=\"font-weight: 400\">\u0422witter<\/span><\/a> <span style=\"font-weight: 400\">\/<\/span> <a href=\"https:\/\/t.me\/informnapalm\"><span style=\"font-weight: 400\">Telegram<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\/ <\/span><a href=\"https:\/\/sl8.online\/invite\/WrrzJQ\"><span style=\"font-weight: 400\">Slate (Sl8)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><img class=\"alignleft ls-is-cached lazyloaded\" src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/01\/InformNapalm_logo_07.png\" width=\"105\" height=\"46\" data-src=\"https:\/\/informnapalm.org\/ua\/wp-content\/uploads\/sites\/9\/2016\/01\/InformNapalm_logo_07.png\" \/>","amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1364","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/117"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1364"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1364\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1366,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1364\/revisions\/1366"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1364"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1364"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1364"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}