{"id":211,"date":"2016-02-22T08:40:12","date_gmt":"2016-02-22T08:40:12","guid":{"rendered":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/?p=211"},"modified":"2016-02-22T08:41:23","modified_gmt":"2016-02-22T08:41:23","slug":"os-crimes-russos-da-guerra-no-leste-da-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/os-crimes-russos-da-guerra-no-leste-da-ucrania\/","title":{"rendered":"Os crimes russos da guerra no leste da Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p>A deputada do parlamento polaco, Ma\u0142gorzata Gosiewska (partido PiS), apresentou publicamente o relat\u00f3rio dedicado aos crimes da guerra russos, cometidos no leste da Ucr\u00e2nia contra os civis e militares ucranianos. O jornalista polaco Wojciech Pi\u0119czak do jornal \u201cTygodnik Powszechny\u201d conversou sobre a investiga\u00e7\u00e3o com Adam Nowak (pseud\u00f3nimo), o investigador do grupo, ex-oficial do Bureau Central de Investiga\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/pl.wikipedia.org\/wiki\/Centralne_Biuro_%C5%9Aledcze_Policji\">CBS<\/a>) da Pol\u00f3nia.<\/p>\n<p><strong><em>por: Wojciech Pi\u0119czak (vers\u00e3o curta, +16, o texto cont\u00e9m as descri\u00e7\u00f5es de tortura)<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2014 Quantas pessoas foram entrevistadas?<\/strong><br \/>\n\u2014 Quase 70. Apenas dois na Pol\u00f3nia, os restantes na Ucr\u00e2nia. \u00c9 apenas um fragmento daquela realidade. \u00c0 partir do momento em que terminou a colheita de informa\u00e7\u00f5es e come\u00e7ou o seu processamento n\u00f3s sempre recebemos os dados de outras pessoas que querem dar o seu testemunho. Mas n\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o somos capazes de us\u00e1-los, porque, neste caso, o trabalho ser\u00e1 adiado por mais um ou dois anos. \u00c9 claro, se o tribunal de Haia mostrar interesse na mat\u00e9ria (e espero que isso ir\u00e1 acontecer, porque l\u00e1 j\u00e1 come\u00e7ou um estudo preliminar sobre a situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia, e enviamos o nosso material como parte deste tema em particular), vamos fornecer [ao tribunal de Haia] as informa\u00e7\u00f5es de contato de outras testemunhas.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Porque as testemunhas s\u00e3o citadas no relat\u00f3rio de forma an\u00f3nima?<\/strong><br \/>\n\u2014 Preserva\u00e7\u00e3o do anonimato \u00e9 um procedimento padr\u00e3o em tais investiga\u00e7\u00f5es. Todas as v\u00edtimas aparecem no documento sob os n\u00fameros C-1, C-2, e assim por diante. \u00abC\u00bb do ingl\u00eas \u00abcase\u00bb \u2013 o caso. Se o Tribunal Penal Internacional come\u00e7ar\u00e1 o caso, n\u00f3s iremos conectar os investigadores com as v\u00edtimas. No entanto, um par de pessoas j\u00e1 pode ser identificado, por exemplo, atrav\u00e9s dos fotografias contidas no relat\u00f3rio. Eles concordaram com isso, eles pr\u00f3prios j\u00e1 falam publicamente, falando abertamente sobre aquilo que lhes aconteceu.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Voc\u00ea se lembra da sua primeira conversa?<\/strong><br \/>\n\u2014 Era o volunt\u00e1rio batalh\u00e3o &#8220;Donbas&#8221;. Ele caiu no cativeiro russo no cerco de Ilovaysk, foi torturado. Ele telefonou para seus companheiros que tamb\u00e9m passaram pelo cativeiro, estes enviaram-nos aos outros. N\u00f3s \u00edamos de pessoa \u00e0 pessoa. Os contactos \u00fateis foram n\u00f3s cedidos pela Ma\u0142gorzata Gosiewska e pelos volunt\u00e1rios ucranianos.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Todos estavam preparados para falar?<\/strong><br \/>\n\u2014 Alguns n\u00e3o. N\u00f3s, infelizmente, n\u00e3o conseguimos documentar o caso de uso de tanta crueldade que foi absolutamente incr\u00edvel, mesmo no contexto de tudo o que t\u00ednhamos ouvido. Uma jovem mulher concordou, mas depois n\u00e3o conseguiu falar.<\/p>\n<p><strong>\u2014 O que aconteceu com ela? Onde ela est\u00e1 agora?<\/strong><br \/>\n\u2014 Ela tinha 22 anos. Ela caiu nas m\u00e3os dos mercen\u00e1rios chechenos que lutaram ao lado dos russos. Ela foi cativa durante cerca de duas semanas. Provavelmente, n\u00e3o \u00e9 preciso explicar mais. [De momento ela] est\u00e1 num hospital psiqui\u00e1trico. N\u00e3o se sabe se ela jamais sair\u00e1 de l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>\u2014 No vosso relat\u00f3rio nada se diz sobre os estupros.<\/strong><br \/>\n\u2014 N\u00e3o conseguimos obter os testemunhos de mulheres que sofreram a viol\u00eancia. Talvez, se pass\u00e1ssemos mais tempo l\u00e1, teria sido diferente. \u00c9ramos apressados pelo tempo. \u00c0s vezes, \u00edamos de uma v\u00edtima para outra durante a noite, para ganharmos o tempo. [Ma\u0142gorzata] Gosiewska dirigia a viatura, n\u00f3s dorm\u00edamos, depois nas manhas n\u00f3s recolh\u00edamos os depoimentos e ela dormia.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Como se sabe que houve os estupros?<\/strong><br \/>\n\u2014 Atrav\u00e9s das pessoas que cuidavam dessas mulheres, ou das testemunhas que viram essas cenas.<\/p>\n[As torturas sofridas pelos ciborgues]\n<p>\u2014 Por exemplo, o grupo dos ciborgues (militares que defendiam o aeroporto de Donetsk) que ca\u00edram no cativeiro [&#8230;] eles todos est\u00e3o numa condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica e mental terr\u00edvel. Eles eram [torturados] com o derramamento da \u00e1gua fervente, queimados com os ferros de engomar.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Quais as outras situa\u00e7\u00f5es que voc\u00ea se lembra mais?<\/strong><br \/>\n\u2014 A conversa com um ciborgue. Eu n\u00e3o posso esquec\u00ea-la, embora tento manter uma dist\u00e2ncia psicol\u00f3gica. Ele caiu no cativeiro ferido, cheio de estilha\u00e7os. Ele contou que os russos, em vez de lhe ministrar algum curativo, come\u00e7aram \u00e0 tortur\u00e1-lo. Uma enfermeira russa tentou convencer os seus colegas para que ele seja castrado. Felizmente, isso n\u00e3o aconteceu. Ou uma outra hist\u00f3ria: o soldado ucraniano contou como ele foi feito prisioneiro pelos chechenos e [estes] perguntaram o que ele preferia: que eles lhe cortaram o cora\u00e7\u00e3o, os \u00f3rg\u00e3os genitais ou ouvido? Ele escolheu ouvido. E eles o cortaram. Eles mataram o seu colega ferido. Depois veio uma esp\u00e9cie de comandante e proibiu matar os restantes. O homem sobreviveu, eu falei com ele. Sua imagem est\u00e1 no relat\u00f3rio. Ele realmente n\u00e3o tem a orelha.<\/p>\n[O objetivo do relat\u00f3rio]\n<p>\u2014 Identificar os criminosos e documentar as suas a\u00e7\u00f5es na base dos depoimentos de testemunhas e v\u00edtimas. [Foram identificados] v\u00e1rias dezenas [de criminosos]. Alguns parcialmente: temos o nome ou uma alcinha, uma descri\u00e7\u00e3o. Mas alguns [s\u00e3o identificados] na \u00edntegra: temos apelidos, datas de nascimento, os locais da sua atua\u00e7\u00e3o e dos crimes cometidos.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Faz sentido a publica\u00e7\u00e3o das alcunhas?<\/strong><br \/>\n\u2014 Sim, porque o texto do relat\u00f3rio est\u00e1 dispon\u00edvel na Internet, e n\u00f3s esperamos que este ser\u00e1 lido pelas pessoas, que pelas descri\u00e7\u00f5es e alcunhas reconhecer\u00e3o os criminosos, e, depois entrem em contato connosco. Se temos uma descri\u00e7\u00e3o de um homem chamado David, cuja v\u00edtima disse que antes da guerra, este trabalhou como chefe de subdivis\u00e3o na pol\u00edcia de Donetsk, e o relat\u00f3rio ser\u00e1 lido por ex-policiais de Donetsk, h\u00e1 uma chance de que algu\u00e9m o reconhecer\u00e1 e ganhar\u00e1 a coragem para passar nos a informa\u00e7\u00e3o. Pelo menos anonimamente, via e-mail.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Voc\u00eas identificavam os criminosos baseando-se nas fontes abertas?<\/strong><br \/>\n\u2014 Sim, n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos acesso \u00e0 qualquer informa\u00e7\u00e3o classificada. Muito \u00fatil foi n\u00f3s a informa\u00e7\u00e3o da Internet ucraniana: h\u00e1 p\u00e1ginas [<a href=\"https:\/\/psb4ukr.org\/\">https:\/\/psb4ukr.org<\/a>] locais onde as autoridades e os volunt\u00e1rios publicam diversos dados sobre a situa\u00e7\u00e3o de Donbas, incluindo sobre o que est\u00e1 acontecendo do outro lado, escrevem quem \u00e9 quem. No entanto, um monte de pessoas suspeitas por n\u00f3s de crimes de guerra, n\u00e3o esconde nada. Pelo contr\u00e1rio, eles se gabam nisso na Internet russa, nas redes sociais.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Pode dar algum exemplo?<\/strong><br \/>\n\u2014 Por exemplo, um homem, que ainda n\u00e3o est\u00e1 presente na lista de criminosos, porque n\u00e3o conseguimos chegar \u00e0s suas v\u00edtimas que sobreviveram. N\u00f3s seguimos o princ\u00edpio de incluir na lista apenas aqueles que aparecem nos depoimentos recebidos. O seu nome \u00e9 Alexey Milchakov, russo de S\u00e3o Petersburgo. Vinte e poucos anos. \u00c9 um monstro com as caracter\u00edsticas did\u00e1ticas de um serial killer. A sua presen\u00e7a nas redes sociais, ele come\u00e7ou fotografado com um cachorrinho, em seguida, cortou sua garganta e comeu, para mostrar que \u00e9 um verdadeiro homem. Ele se voluntariou ao Donbas, tornou-se um comandante da unidade no batalh\u00e3o \u201cRusich\u201d \u2013 s\u00e3o os nacionalistas russos com a inclina\u00e7\u00e3o eslava \u2013 fascista. No Facebook, ele publicou as suas fotos com os corpos esfolados. O tipo de psicopata pervertido. Na R\u00fassia, ele \u00e9 homenageado como um her\u00f3i, \u00e9 convidado \u00e0 TV como um especialista em temas ucranianas. [No nosso relat\u00f3rio] aparece apenas nas notas.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Voc\u00eas n\u00e3o acharam as suas v\u00edtimas?<\/strong><br \/>\n\u2014 Vivas \u2014 n\u00e3o. N\u00f3s ainda temos apenas as descri\u00e7\u00f5es dos assassinatos cometidos por ele.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Os assassinos que foram identificados, quem s\u00e3o estas pessoas?<\/strong><br \/>\n\u2014 S\u00e3o bem diferentes. O grupo mais horr\u00edvel s\u00e3o mercen\u00e1rios das rep\u00fablicas do C\u00e1ucaso. Os chechenos e ossetas, mas tamb\u00e9m os cossacos do Don da R\u00fassia. Eles se caracterizam pela extrema crueldade. Mas outros grupos divergem deles em muito pouco. H\u00e1, por exemplo, uma organiza\u00e7\u00e3o chamada Ex\u00e9rcito ortodoxo russo \u2013 s\u00e3o volunt\u00e1rios da R\u00fassia [composto pelos membros da organiza\u00e7\u00e3o neo-nazi russa RNE]. Eles se distinguem pela agressividade especial contra os \u201cinfi\u00e9is\u201d, ou seja, aqueles que n\u00e3o pertencem \u00e0 Igreja ortodoxa russa do Patriarcado de Moscovo. [Eles consideram que] \u201cos infi\u00e9is\u201d podem ser mortos. O mais severamente eles perseguem os protestantes ucranianos. Antes da guerra, havia [na Donbas] uma pequena comunidade protestante. Eles mataram v\u00e1rios padres, em alguns casos juntamente com as suas fam\u00edlias. Outros foram torturados com extrema crueldade. Houve situa\u00e7\u00f5es em que as suas a\u00e7\u00f5es, por exemplo, os ataques contra as igrejas protestantes, eram aben\u00e7oados pelos padres ortodoxos. Quando eu ouvia os depoimentos sobre este \u201cex\u00e9rcito\u201d, tinha a impress\u00e3o de que s\u00e3o simplesmente os jihadistas ortodoxos. Na Internet eu encontrei os v\u00eddeos deles, por exemplo, com as instru\u00e7\u00f5es de como limpar as armas de maneira \u201cortodoxa\u201d, para durarem mais tempo.<\/p>\n<p><strong>\u2014 E havia \u201cbons russos\u201d?<\/strong><br \/>\n\u2014 Havia. Temos o testemunho de um homem que foi torturado durante v\u00e1rias horas, e depois, quando ele voltou \u00e0 sua cela, algu\u00e9m, em segredo, lhe trouxe os analg\u00e9sicos. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que do outro lado est\u00e3o apenas os psicopatas. No entanto, houve um consenso social sobre a pr\u00e1tica de tais atos, que s\u00e3o considerados crimes no direito internacional. Incluindo o consentimento do topo. Temos exemplos de torturas terr\u00edveis, eu diria, as torturas profissionais, que eram feitas pelos funcion\u00e1rios da intelig\u00eancia militar russa \u2013 GRU.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Como se sabe que eram realmente GRU?<\/strong><br \/>\n\u2014 Primeiramente, eles pr\u00f3prios assim se apresentavam. Em segundo lugar, eles torturaram os oficiais profissionais do ex\u00e9rcito ucraniano, que anteriormente serviram no ex\u00e9rcito ainda sovi\u00e9tico, passaram pela guerra no Afeganist\u00e3o: eles conhecem este ambiente e os seus m\u00e9todos.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Como decorriam estas torturas?<\/strong><br \/>\n\u2014 Por exemplo, com aquecedor de \u00e1gua era queimada a boca, debaixo das unhas eram marteladas as pe\u00e7as finas, com as facas eram perfurados os joelhos, se faziam as incis\u00f5es musculares, as feridas eram polvilhados com o sal. Para obter informa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram usadas as subst\u00e2ncias qu\u00edmicas.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Quais os encontros com as v\u00edtimas eram mais dif\u00edceis?<\/strong><br \/>\n\u2014 Ap\u00f3s as conversas com as mulheres que foram torturadas me surgiu o pensamento que, se eu encontrar o criminoso, estaria pronto para mat\u00e1-lo. Mas tentei manter o distanciamento, para que todo o procedimento decorrer de forma profissional. \u00c9 imposs\u00edvel trabalhar sem o distanciamento. Mas \u00e9 dif\u00edcil, quando estas a ouvir de uma testemunha que numa qualquer cela de tortura ele tinha visto uma mulher gr\u00e1vida. N\u00f3s n\u00e3o sabemos quem ela era, e se ela sobreviveu.<\/p>\n<p><strong>\u2014 O que contavam as mulheres? Quem eles eram?<\/strong><br \/>\n\u2014 Eles eram v\u00edtimas de torturas brutais, que inclu\u00eda a corte das partes do corpo. Eles foram submetidos aos espancamentos terr\u00edveis, humilha\u00e7\u00e3o, na sua frente eram assassinados os seus amigos. Eram as mulheres e mo\u00e7as normais. Por exemplo, as volunt\u00e1rias, que levavam os mantimentos [\u00e0s for\u00e7as ucranianas] e ca\u00edram no cativeiro. Mas era poss\u00edvel estar no cativeiro [terrorista] n\u00e3o apenas por causa das atividades pol\u00edticas. Nas cadeias de Donbas tamb\u00e9m se encontravam os moradores normais, apenas porque possu\u00edam alguns bens, uma casa bonita, um belo carro. No in\u00edcio, nos territ\u00f3rios ocupados os russos simplesmente armavam os criminosos locais, a esc\u00f3ria da sociedade. Eles lhes deram as armas e disseram: agora voc\u00eas s\u00e3o a pol\u00edcia aqui, deve haver a ordem. E estes separatistas escolhiam as v\u00edtimas entre os moradores locais e os mantinham nas caves, at\u00e9 que estes lhes passavam a sua casa ou os bens. Oficialmente, claro, isso parecia como a venda. As vezes, se algu\u00e9m resistia bastante, era assassinado.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Ser\u00e1 poss\u00edvel, na base dos dados dispon\u00edveis, dizer qual foi a natureza dos crimes russos: espor\u00e1dica ou sist\u00e9mica?<\/strong><br \/>\n\u2014 Certamente sist\u00e9mica. Em Donbas ocupada n\u00e3o havia lugares, onde eram mantidos os prisioneiros ucranianos, militares e civis, em que n\u00e3o eram cometidos os crimes de guerra. Ou, dito de outra forma: havia muito poucos lugares onde eram mantidos os prisioneiros de guerra e civis, mas onde n\u00e3o havia assassinatos, tortura, etc. Em depoimentos recolhidos por n\u00f3s h\u00e1 apenas um desses lugares \u2013 Ilovaysk. Os prisioneiros ucranianos, na sua maioria os homens do batalh\u00e3o \u201cDonbas\u201d contaram que, num primeiro momento, capturados, eles passaram pelo inferno de Donetsk, mas depois, em Ilovaysk, foram bem tratados. O comandante separatista local disse lhes: \u201caqui ningu\u00e9m v\u00f3s toca, voc\u00eas s\u00e3o prisioneiros\u201d. E confessou que agiu assim porque antes os seus homens foram capturados pelo batalh\u00e3o \u201cDonbas\u201d, e foram bem tratados.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Ser\u00e1 que entre os criminosos identificados est\u00e1 presente Igor Girkin (pseud\u00f3nimo \u201cStrelkov\u201d), o coronel russo, que, como ele mesmo se gabou nas entrevistas, come\u00e7ou a guerra na Donbas, e alguns meses era o ministro da defesa [dos terroristas] em Sloviansk e Donetsk?<\/strong><br \/>\n\u2014 Sim, a sua actividade est\u00e1 bem documentada. \u00c0 ele podem ser atribu\u00eddos os crimes enumerados no Estatuto de Roma, a base legal em que opera o Tribunal Penal Internacional. Em primeiro lugar, Girkin como o comandante \u00e9 respons\u00e1vel pelos atos dos seus subordinados e por tolerar a pr\u00e1tica de crimes. Em segundo lugar, em Sloviansk ele tinha a sua sede no antigo edif\u00edcio do Servi\u00e7o de Seguran\u00e7a Ucraniano (SBU). Agora Sloviansk est\u00e1 novamente sob controlo da Ucr\u00e2nia, n\u00f3s visitamos aquele edif\u00edcio. A sala do Girkin estava exatamente acima da cave, onde os prisioneiros eram torturados. A cidade tinha pelo menos dois locais de tortura: no edif\u00edcio da SBU e na pol\u00edcia. No segundo lugar as pessoas tamb\u00e9m eram fuziladas, condenadas \u00e0 morte, por assim chamado tribunal militar de Sloviansk. Girkin participava nas reuni\u00f5es deste pseudo-tribunal, a sua assinatura est\u00e1 nas senten\u00e7as de morte. Sabemos que os veredictos eram emitidos \u00e0 noite, e eram feitos pelas \u201ctroikas\u201d, como eram chamadas pelos russos.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Isso \u00e9 uma refer\u00eancia aos tribunais especiais do NKVD, que emitiam as senten\u00e7as, nomeadamente, aos oficiais [polacos] em Katyn?<\/strong><br \/>\n\u2014 Sim, a direta. Eles adoram os nomes da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica antiga, da era estalinista. Eles chamavam os seus tribunais de \u201ctroikas\u201d, o seu servi\u00e7o de contra-espionagem era chamado de NKVD, etc. E mais um detalhe curioso, que mostra a mentalidade dessas pessoas: numa ata da \u201ctroika\u201d, assinada, entre outros pelo Girkin, da reuni\u00e3o que teve o lugar em 24 de maio de 2014 e onde foram condenados \u00e0 morte duas pessoas, diz-se que o veredicto \u00e9 baseado no &#8230; Decreto do Pres\u00eddio do Conselho Supremo da URSS de 22 de junho de 1941. Isso seria engra\u00e7ado, se essas pessoas realmente n\u00e3o fossem assassinadas.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Quantas pessoas foram sentenciadas pelas \u00abtroikas\u00bb de Girkin?<\/strong><br \/>\n\u2014 N\u00e3o sabemos. Ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o de Sloviansk, l\u00e1 foram encontradas as valas comuns, mas certamente nem todas. No entanto, para fuzilar uma pessoa n\u00e3o eram necess\u00e1rias nenhumas \u201csenten\u00e7as\u201d. Os depoimentos mostram que as execu\u00e7\u00f5es eram os atos quotidianos. Disparavam na nuca.<\/p>\n<p><strong>\u2014 E outros l\u00edderes das ditas rep\u00fablicas populares \u2014 de Donetsk e de Luhansk?<\/strong><br \/>\n\u2014 O \u201cchefe\u201d da rep\u00fablica de Donersk, Zakharchenko e o seu antecessor, [Alexander] Boroday, tal como outros l\u00edderes: todos eles s\u00e3o culpados de crimes de guerra. Ou, como comandantes ou como aqueles que estavam diretamente presentes nos locais de cometimento de crimes. Eles at\u00e9 n\u00e3o escondiam isso, e se fotografavam com os prisioneiros mortos, como, por exemplo, Zakharchenko. Temos um depoimento sobre Boroday, pessoa ligada ao Kremlin, que foi enviado \u00e0 Donetsk de Moscovo. Os oficiais do GRU que torturavam uma das v\u00edtimas com qual falamos, o tratavam como chefe. N\u00f3s temos um caso documentado em que ele estava tentando obter o resgate de um milh\u00e3o de d\u00f3lares pela vida de um prisioneiro. Era um prisioneiro especial, que, como supomos, provavelmente pretendiam levar \u00e0 R\u00fassia e julgar l\u00e1 juntamente com [piloto] Nadia Savchenko. Mas os carrascos de Donetsk o mutilaram bastante e Boroday, de acordo com o depoimento, disse-lhes que eles foram longe demais e \u201cessa pilha de carne\u201d agora n\u00e3o servia. Quando ele viu que n\u00e3o haver\u00e1 o pagamento de resgate, ordenou a execu\u00e7\u00e3o do prisioneiro. Este s\u00f3 sobreviveu porque no caminho \u00e0 sua execu\u00e7\u00e3o, no cemit\u00e9rio, ele foi \u201cpego\u201d por um outro grupo.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Outro grupo?<\/strong><br \/>\n\u2014 L\u00e1 as coisas funcionam assim. O prisioneiro foi levado por um grupo [terrorista] rival, que o trocou por algu\u00e9m de quem eles precisavam, mas que se encontrava numa cadeia ucraniana. Quando eu recolhia os depoimentos, tinha a impress\u00e3o que do outro lado n\u00e3o est\u00e1 um pseudo-estado separatista ou russo, mas bandos criminosos. Eles competiam nos saques, arrancavam uns aos outros os prisioneiros valiosos, pelos quais poderiam pedir o resgate&#8230;<\/p>\n<p><strong>\u2014 Porque voc\u00eas, polacos, se dedicam \u00e0 isso?<\/strong><br \/>\n\u2014 Para que tudo isto n\u00e3o morra de causas naturais, de modo que o mundo n\u00e3o deixe isso esquecido, para que o mundo saiba.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Este motivo aparecia nas palavras das v\u00edtimas: para que o mundo saiba?<\/strong><br \/>\n\u2014 \u00c0s vezes eu via nos olhos das pessoas com quem fal\u00e1vamos, a esperan\u00e7a (que imponha, diria eu, uma grande obriga\u00e7\u00e3o moral) que algu\u00e9m, ainda mais os estrangeiros est\u00e9 interessado nisso, ent\u00e3o isso ter\u00e1 algum efeito.<\/p>\n<p><strong>\u2014 E assim ser\u00e1?<\/strong><br \/>\n\u2014 Se o caso subir \u00e0 tribunal de Haia, este poder\u00e1 decretar a procura dos criminosos, poderia enviar os seus pr\u00f3prios investigadores. Ucr\u00e2nia n\u00e3o assinou o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, mas o parlamento ucraniano decidiu que tudo o que aconteceu depois do in\u00edcio da guerra, passa para a jurisdi\u00e7\u00e3o de Haia. Espero que, mesmo que essas pessoas n\u00e3o pudessem ser levados \u00e0 justi\u00e7a, porque a R\u00fassia n\u00e3o vai os entregar, pelo menos eles v\u00e3o sentir o medo. E se reduzir\u00e1 a escala de crimes. Afinal, nada disso acabou, tudo continua. Estamos em contato com as pessoas que est\u00e3o envolvidas na troca de prisioneiros, eles regularmente telefonam para n\u00f3s. Dois dias atr\u00e1s, recebi as informa\u00e7\u00f5es sobre um homem que foi libertado do cativeiro russo, passando l\u00e1 um ano. Dizem que ele esta em um estado terr\u00edvel. Mas ele quer falar&#8230;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: left; font-style: italic; font-weight: bold;\">Ler o relat\u00f3rio completo (em ingl\u00eas, franc\u00eas e polaco): <a href=\"http:\/\/www.donbasswarcrimes.org\/report\" target=\"_blank\">http:\/\/www.donbasswarcrimes.org\/report<\/a><br \/>\n<\/br>O grupo polaco de investiga\u00e7\u00e3o na rede Facebook: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/RosyjskieZbrodnieNaUkrainie\" target=\"_blank\">https:\/\/www.facebook.com\/RosyjskieZbrodnieNaUkrainie<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A deputada do parlamento polaco, Ma\u0142gorzata Gosiewska (partido PiS), apresentou publicamente o relat\u00f3rio dedicado aos crimes da&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":212,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"om_disable_all_campaigns":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[15,14],"tags":[],"class_list":["post-211","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-donbas","category-noticia"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - 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O jornalista polaco Wojciech Pi\u0119czak do jornal \u201cTygodnik Powszechny\u201d conversou sobre a investiga\u00e7\u00e3o com Adam Nowak (pseud\u00f3nimo), o investigador do grupo, ex-oficial do Bureau Central de Investiga\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/pl.wikipedia.org\/wiki\/Centralne_Biuro_%C5%9Aledcze_Policji\">CBS<\/a>) da Pol\u00f3nia.\r\n\r\n<strong><em>por: Wojciech Pi\u0119czak (vers\u00e3o curta, +16, o texto cont\u00e9m as descri\u00e7\u00f5es de tortura)<\/em><\/strong>\r\n\r\n<strong>\u2014 Quantas pessoas foram entrevistadas?<\/strong>\r\n\u2014 Quase 70. Apenas dois na Pol\u00f3nia, os restantes na Ucr\u00e2nia. \u00c9 apenas um fragmento daquela realidade. \u00c0 partir do momento em que terminou a colheita de informa\u00e7\u00f5es e come\u00e7ou o seu processamento n\u00f3s sempre recebemos os dados de outras pessoas que querem dar o seu testemunho. Mas n\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o somos capazes de us\u00e1-los, porque, neste caso, o trabalho ser\u00e1 adiado por mais um ou dois anos. \u00c9 claro, se o tribunal de Haia mostrar interesse na mat\u00e9ria (e espero que isso ir\u00e1 acontecer, porque l\u00e1 j\u00e1 come\u00e7ou um estudo preliminar sobre a situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia, e enviamos o nosso material como parte deste tema em particular), vamos fornecer [ao tribunal de Haia] as informa\u00e7\u00f5es de contato de outras testemunhas.\r\n\r\n<strong>\u2014 Porque as testemunhas s\u00e3o citadas no relat\u00f3rio de forma an\u00f3nima?<\/strong>\r\n\u2014 Preserva\u00e7\u00e3o do anonimato \u00e9 um procedimento padr\u00e3o em tais investiga\u00e7\u00f5es. Todas as v\u00edtimas aparecem no documento sob os n\u00fameros C-1, C-2, e assim por diante. \u00abC\u00bb do ingl\u00eas \u00abcase\u00bb \u2013 o caso. Se o Tribunal Penal Internacional come\u00e7ar\u00e1 o caso, n\u00f3s iremos conectar os investigadores com as v\u00edtimas. No entanto, um par de pessoas j\u00e1 pode ser identificado, por exemplo, atrav\u00e9s dos fotografias contidas no relat\u00f3rio. Eles concordaram com isso, eles pr\u00f3prios j\u00e1 falam publicamente, falando abertamente sobre aquilo que lhes aconteceu.\r\n\r\n<strong>\u2014 Voc\u00ea se lembra da sua primeira conversa?<\/strong>\r\n\u2014 Era o volunt\u00e1rio batalh\u00e3o \"Donbas\". Ele caiu no cativeiro russo no cerco de Ilovaysk, foi torturado. Ele telefonou para seus companheiros que tamb\u00e9m passaram pelo cativeiro, estes enviaram-nos aos outros. N\u00f3s \u00edamos de pessoa \u00e0 pessoa. Os contactos \u00fateis foram n\u00f3s cedidos pela Ma\u0142gorzata Gosiewska e pelos volunt\u00e1rios ucranianos.\r\n\r\n<strong>\u2014 Todos estavam preparados para falar?<\/strong>\r\n\u2014 Alguns n\u00e3o. N\u00f3s, infelizmente, n\u00e3o conseguimos documentar o caso de uso de tanta crueldade que foi absolutamente incr\u00edvel, mesmo no contexto de tudo o que t\u00ednhamos ouvido. Uma jovem mulher concordou, mas depois n\u00e3o conseguiu falar.\r\n\r\n<strong>\u2014 O que aconteceu com ela? Onde ela est\u00e1 agora?<\/strong>\r\n\u2014 Ela tinha 22 anos. Ela caiu nas m\u00e3os dos mercen\u00e1rios chechenos que lutaram ao lado dos russos. Ela foi cativa durante cerca de duas semanas. Provavelmente, n\u00e3o \u00e9 preciso explicar mais. [De momento ela] est\u00e1 num hospital psiqui\u00e1trico. N\u00e3o se sabe se ela jamais sair\u00e1 de l\u00e1.\r\n\r\n<strong>\u2014 No vosso relat\u00f3rio nada se diz sobre os estupros.<\/strong>\r\n\u2014 N\u00e3o conseguimos obter os testemunhos de mulheres que sofreram a viol\u00eancia. Talvez, se pass\u00e1ssemos mais tempo l\u00e1, teria sido diferente. \u00c9ramos apressados pelo tempo. \u00c0s vezes, \u00edamos de uma v\u00edtima para outra durante a noite, para ganharmos o tempo. [Ma\u0142gorzata] Gosiewska dirigia a viatura, n\u00f3s dorm\u00edamos, depois nas manhas n\u00f3s recolh\u00edamos os depoimentos e ela dormia.\r\n\r\n<strong>\u2014 Como se sabe que houve os estupros?<\/strong>\r\n\u2014 Atrav\u00e9s das pessoas que cuidavam dessas mulheres, ou das testemunhas que viram essas cenas.\r\n\r\n[As torturas sofridas pelos ciborgues]\r\n\r\n\u2014 Por exemplo, o grupo dos ciborgues (militares que defendiam o aeroporto de Donetsk) que ca\u00edram no cativeiro [...] eles todos est\u00e3o numa condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica e mental terr\u00edvel. Eles eram [torturados] com o derramamento da \u00e1gua fervente, queimados com os ferros de engomar.\r\n\r\n<strong>\u2014 Quais as outras situa\u00e7\u00f5es que voc\u00ea se lembra mais?<\/strong>\r\n\u2014 A conversa com um ciborgue. Eu n\u00e3o posso esquec\u00ea-la, embora tento manter uma dist\u00e2ncia psicol\u00f3gica. Ele caiu no cativeiro ferido, cheio de estilha\u00e7os. Ele contou que os russos, em vez de lhe ministrar algum curativo, come\u00e7aram \u00e0 tortur\u00e1-lo. Uma enfermeira russa tentou convencer os seus colegas para que ele seja castrado. Felizmente, isso n\u00e3o aconteceu. Ou uma outra hist\u00f3ria: o soldado ucraniano contou como ele foi feito prisioneiro pelos chechenos e [estes] perguntaram o que ele preferia: que eles lhe cortaram o cora\u00e7\u00e3o, os \u00f3rg\u00e3os genitais ou ouvido? Ele escolheu ouvido. E eles o cortaram. Eles mataram o seu colega ferido. Depois veio uma esp\u00e9cie de comandante e proibiu matar os restantes. O homem sobreviveu, eu falei com ele. Sua imagem est\u00e1 no relat\u00f3rio. Ele realmente n\u00e3o tem a orelha.\r\n\r\n[O objetivo do relat\u00f3rio]\r\n\r\n\u2014 Identificar os criminosos e documentar as suas a\u00e7\u00f5es na base dos depoimentos de testemunhas e v\u00edtimas. [Foram identificados] v\u00e1rias dezenas [de criminosos]. Alguns parcialmente: temos o nome ou uma alcinha, uma descri\u00e7\u00e3o. Mas alguns [s\u00e3o identificados] na \u00edntegra: temos apelidos, datas de nascimento, os locais da sua atua\u00e7\u00e3o e dos crimes cometidos.\r\n\r\n<strong>\u2014 Faz sentido a publica\u00e7\u00e3o das alcunhas?<\/strong>\r\n\u2014 Sim, porque o texto do relat\u00f3rio est\u00e1 dispon\u00edvel na Internet, e n\u00f3s esperamos que este ser\u00e1 lido pelas pessoas, que pelas descri\u00e7\u00f5es e alcunhas reconhecer\u00e3o os criminosos, e, depois entrem em contato connosco. Se temos uma descri\u00e7\u00e3o de um homem chamado David, cuja v\u00edtima disse que antes da guerra, este trabalhou como chefe de subdivis\u00e3o na pol\u00edcia de Donetsk, e o relat\u00f3rio ser\u00e1 lido por ex-policiais de Donetsk, h\u00e1 uma chance de que algu\u00e9m o reconhecer\u00e1 e ganhar\u00e1 a coragem para passar nos a informa\u00e7\u00e3o. Pelo menos anonimamente, via e-mail.\r\n\r\n<strong>\u2014 Voc\u00eas identificavam os criminosos baseando-se nas fontes abertas?<\/strong>\r\n\u2014 Sim, n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos acesso \u00e0 qualquer informa\u00e7\u00e3o classificada. Muito \u00fatil foi n\u00f3s a informa\u00e7\u00e3o da Internet ucraniana: h\u00e1 p\u00e1ginas [<a href=\"https:\/\/psb4ukr.org\/\">https:\/\/psb4ukr.org<\/a>] locais onde as autoridades e os volunt\u00e1rios publicam diversos dados sobre a situa\u00e7\u00e3o de Donbas, incluindo sobre o que est\u00e1 acontecendo do outro lado, escrevem quem \u00e9 quem. No entanto, um monte de pessoas suspeitas por n\u00f3s de crimes de guerra, n\u00e3o esconde nada. Pelo contr\u00e1rio, eles se gabam nisso na Internet russa, nas redes sociais.\r\n\r\n<strong>\u2014 Pode dar algum exemplo?<\/strong>\r\n\u2014 Por exemplo, um homem, que ainda n\u00e3o est\u00e1 presente na lista de criminosos, porque n\u00e3o conseguimos chegar \u00e0s suas v\u00edtimas que sobreviveram. N\u00f3s seguimos o princ\u00edpio de incluir na lista apenas aqueles que aparecem nos depoimentos recebidos. O seu nome \u00e9 Alexey Milchakov, russo de S\u00e3o Petersburgo. Vinte e poucos anos. \u00c9 um monstro com as caracter\u00edsticas did\u00e1ticas de um serial killer. A sua presen\u00e7a nas redes sociais, ele come\u00e7ou fotografado com um cachorrinho, em seguida, cortou sua garganta e comeu, para mostrar que \u00e9 um verdadeiro homem. Ele se voluntariou ao Donbas, tornou-se um comandante da unidade no batalh\u00e3o \u201cRusich\u201d \u2013 s\u00e3o os nacionalistas russos com a inclina\u00e7\u00e3o eslava \u2013 fascista. No Facebook, ele publicou as suas fotos com os corpos esfolados. O tipo de psicopata pervertido. Na R\u00fassia, ele \u00e9 homenageado como um her\u00f3i, \u00e9 convidado \u00e0 TV como um especialista em temas ucranianas. [No nosso relat\u00f3rio] aparece apenas nas notas.\r\n\r\n<strong>\u2014 Voc\u00eas n\u00e3o acharam as suas v\u00edtimas?<\/strong>\r\n\u2014 Vivas \u2014 n\u00e3o. N\u00f3s ainda temos apenas as descri\u00e7\u00f5es dos assassinatos cometidos por ele.\r\n\r\n<strong>\u2014 Os assassinos que foram identificados, quem s\u00e3o estas pessoas?<\/strong>\r\n\u2014 S\u00e3o bem diferentes. O grupo mais horr\u00edvel s\u00e3o mercen\u00e1rios das rep\u00fablicas do C\u00e1ucaso. Os chechenos e ossetas, mas tamb\u00e9m os cossacos do Don da R\u00fassia. Eles se caracterizam pela extrema crueldade. Mas outros grupos divergem deles em muito pouco. H\u00e1, por exemplo, uma organiza\u00e7\u00e3o chamada Ex\u00e9rcito ortodoxo russo \u2013 s\u00e3o volunt\u00e1rios da R\u00fassia [composto pelos membros da organiza\u00e7\u00e3o neo-nazi russa RNE]. Eles se distinguem pela agressividade especial contra os \u201cinfi\u00e9is\u201d, ou seja, aqueles que n\u00e3o pertencem \u00e0 Igreja ortodoxa russa do Patriarcado de Moscovo. [Eles consideram que] \u201cos infi\u00e9is\u201d podem ser mortos. O mais severamente eles perseguem os protestantes ucranianos. Antes da guerra, havia [na Donbas] uma pequena comunidade protestante. Eles mataram v\u00e1rios padres, em alguns casos juntamente com as suas fam\u00edlias. Outros foram torturados com extrema crueldade. Houve situa\u00e7\u00f5es em que as suas a\u00e7\u00f5es, por exemplo, os ataques contra as igrejas protestantes, eram aben\u00e7oados pelos padres ortodoxos. Quando eu ouvia os depoimentos sobre este \u201cex\u00e9rcito\u201d, tinha a impress\u00e3o de que s\u00e3o simplesmente os jihadistas ortodoxos. Na Internet eu encontrei os v\u00eddeos deles, por exemplo, com as instru\u00e7\u00f5es de como limpar as armas de maneira \u201cortodoxa\u201d, para durarem mais tempo.\r\n\r\n<strong>\u2014 E havia \u201cbons russos\u201d?<\/strong>\r\n\u2014 Havia. Temos o testemunho de um homem que foi torturado durante v\u00e1rias horas, e depois, quando ele voltou \u00e0 sua cela, algu\u00e9m, em segredo, lhe trouxe os analg\u00e9sicos. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que do outro lado est\u00e3o apenas os psicopatas. No entanto, houve um consenso social sobre a pr\u00e1tica de tais atos, que s\u00e3o considerados crimes no direito internacional. Incluindo o consentimento do topo. Temos exemplos de torturas terr\u00edveis, eu diria, as torturas profissionais, que eram feitas pelos funcion\u00e1rios da intelig\u00eancia militar russa \u2013 GRU.\r\n\r\n<strong>\u2014 Como se sabe que eram realmente GRU?<\/strong>\r\n\u2014 Primeiramente, eles pr\u00f3prios assim se apresentavam. Em segundo lugar, eles torturaram os oficiais profissionais do ex\u00e9rcito ucraniano, que anteriormente serviram no ex\u00e9rcito ainda sovi\u00e9tico, passaram pela guerra no Afeganist\u00e3o: eles conhecem este ambiente e os seus m\u00e9todos.\r\n\r\n<strong>\u2014 Como decorriam estas torturas?<\/strong>\r\n\u2014 Por exemplo, com aquecedor de \u00e1gua era queimada a boca, debaixo das unhas eram marteladas as pe\u00e7as finas, com as facas eram perfurados os joelhos, se faziam as incis\u00f5es musculares, as feridas eram polvilhados com o sal. Para obter informa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram usadas as subst\u00e2ncias qu\u00edmicas.\r\n\r\n<strong>\u2014 Quais os encontros com as v\u00edtimas eram mais dif\u00edceis?<\/strong>\r\n\u2014 Ap\u00f3s as conversas com as mulheres que foram torturadas me surgiu o pensamento que, se eu encontrar o criminoso, estaria pronto para mat\u00e1-lo. Mas tentei manter o distanciamento, para que todo o procedimento decorrer de forma profissional. \u00c9 imposs\u00edvel trabalhar sem o distanciamento. Mas \u00e9 dif\u00edcil, quando estas a ouvir de uma testemunha que numa qualquer cela de tortura ele tinha visto uma mulher gr\u00e1vida. N\u00f3s n\u00e3o sabemos quem ela era, e se ela sobreviveu.\r\n\r\n<strong>\u2014 O que contavam as mulheres? Quem eles eram?<\/strong>\r\n\u2014 Eles eram v\u00edtimas de torturas brutais, que inclu\u00eda a corte das partes do corpo. Eles foram submetidos aos espancamentos terr\u00edveis, humilha\u00e7\u00e3o, na sua frente eram assassinados os seus amigos. Eram as mulheres e mo\u00e7as normais. Por exemplo, as volunt\u00e1rias, que levavam os mantimentos [\u00e0s for\u00e7as ucranianas] e ca\u00edram no cativeiro. Mas era poss\u00edvel estar no cativeiro [terrorista] n\u00e3o apenas por causa das atividades pol\u00edticas. Nas cadeias de Donbas tamb\u00e9m se encontravam os moradores normais, apenas porque possu\u00edam alguns bens, uma casa bonita, um belo carro. No in\u00edcio, nos territ\u00f3rios ocupados os russos simplesmente armavam os criminosos locais, a esc\u00f3ria da sociedade. Eles lhes deram as armas e disseram: agora voc\u00eas s\u00e3o a pol\u00edcia aqui, deve haver a ordem. E estes separatistas escolhiam as v\u00edtimas entre os moradores locais e os mantinham nas caves, at\u00e9 que estes lhes passavam a sua casa ou os bens. Oficialmente, claro, isso parecia como a venda. As vezes, se algu\u00e9m resistia bastante, era assassinado.\r\n\r\n<strong>\u2014 Ser\u00e1 poss\u00edvel, na base dos dados dispon\u00edveis, dizer qual foi a natureza dos crimes russos: espor\u00e1dica ou sist\u00e9mica?<\/strong>\r\n\u2014 Certamente sist\u00e9mica. Em Donbas ocupada n\u00e3o havia lugares, onde eram mantidos os prisioneiros ucranianos, militares e civis, em que n\u00e3o eram cometidos os crimes de guerra. Ou, dito de outra forma: havia muito poucos lugares onde eram mantidos os prisioneiros de guerra e civis, mas onde n\u00e3o havia assassinatos, tortura, etc. Em depoimentos recolhidos por n\u00f3s h\u00e1 apenas um desses lugares \u2013 Ilovaysk. Os prisioneiros ucranianos, na sua maioria os homens do batalh\u00e3o \u201cDonbas\u201d contaram que, num primeiro momento, capturados, eles passaram pelo inferno de Donetsk, mas depois, em Ilovaysk, foram bem tratados. O comandante separatista local disse lhes: \u201caqui ningu\u00e9m v\u00f3s toca, voc\u00eas s\u00e3o prisioneiros\u201d. E confessou que agiu assim porque antes os seus homens foram capturados pelo batalh\u00e3o \u201cDonbas\u201d, e foram bem tratados.\r\n\r\n<strong>\u2014 Ser\u00e1 que entre os criminosos identificados est\u00e1 presente Igor Girkin (pseud\u00f3nimo \u201cStrelkov\u201d), o coronel russo, que, como ele mesmo se gabou nas entrevistas, come\u00e7ou a guerra na Donbas, e alguns meses era o ministro da defesa [dos terroristas] em Sloviansk e Donetsk?<\/strong>\r\n\u2014 Sim, a sua actividade est\u00e1 bem documentada. \u00c0 ele podem ser atribu\u00eddos os crimes enumerados no Estatuto de Roma, a base legal em que opera o Tribunal Penal Internacional. Em primeiro lugar, Girkin como o comandante \u00e9 respons\u00e1vel pelos atos dos seus subordinados e por tolerar a pr\u00e1tica de crimes. Em segundo lugar, em Sloviansk ele tinha a sua sede no antigo edif\u00edcio do Servi\u00e7o de Seguran\u00e7a Ucraniano (SBU). Agora Sloviansk est\u00e1 novamente sob controlo da Ucr\u00e2nia, n\u00f3s visitamos aquele edif\u00edcio. A sala do Girkin estava exatamente acima da cave, onde os prisioneiros eram torturados. A cidade tinha pelo menos dois locais de tortura: no edif\u00edcio da SBU e na pol\u00edcia. No segundo lugar as pessoas tamb\u00e9m eram fuziladas, condenadas \u00e0 morte, por assim chamado tribunal militar de Sloviansk. Girkin participava nas reuni\u00f5es deste pseudo-tribunal, a sua assinatura est\u00e1 nas senten\u00e7as de morte. Sabemos que os veredictos eram emitidos \u00e0 noite, e eram feitos pelas \u201ctroikas\u201d, como eram chamadas pelos russos.\r\n\r\n<strong>\u2014 Isso \u00e9 uma refer\u00eancia aos tribunais especiais do NKVD, que emitiam as senten\u00e7as, nomeadamente, aos oficiais [polacos] em Katyn?<\/strong>\r\n\u2014 Sim, a direta. Eles adoram os nomes da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica antiga, da era estalinista. Eles chamavam os seus tribunais de \u201ctroikas\u201d, o seu servi\u00e7o de contra-espionagem era chamado de NKVD, etc. E mais um detalhe curioso, que mostra a mentalidade dessas pessoas: numa ata da \u201ctroika\u201d, assinada, entre outros pelo Girkin, da reuni\u00e3o que teve o lugar em 24 de maio de 2014 e onde foram condenados \u00e0 morte duas pessoas, diz-se que o veredicto \u00e9 baseado no ... Decreto do Pres\u00eddio do Conselho Supremo da URSS de 22 de junho de 1941. Isso seria engra\u00e7ado, se essas pessoas realmente n\u00e3o fossem assassinadas.\r\n\r\n<strong>\u2014 Quantas pessoas foram sentenciadas pelas \u00abtroikas\u00bb de Girkin?<\/strong>\r\n\u2014 N\u00e3o sabemos. Ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o de Sloviansk, l\u00e1 foram encontradas as valas comuns, mas certamente nem todas. No entanto, para fuzilar uma pessoa n\u00e3o eram necess\u00e1rias nenhumas \u201csenten\u00e7as\u201d. Os depoimentos mostram que as execu\u00e7\u00f5es eram os atos quotidianos. Disparavam na nuca.\r\n\r\n<strong>\u2014 E outros l\u00edderes das ditas rep\u00fablicas populares \u2014 de Donetsk e de Luhansk?<\/strong>\r\n\u2014 O \u201cchefe\u201d da rep\u00fablica de Donersk, Zakharchenko e o seu antecessor, [Alexander] Boroday, tal como outros l\u00edderes: todos eles s\u00e3o culpados de crimes de guerra. Ou, como comandantes ou como aqueles que estavam diretamente presentes nos locais de cometimento de crimes. Eles at\u00e9 n\u00e3o escondiam isso, e se fotografavam com os prisioneiros mortos, como, por exemplo, Zakharchenko. Temos um depoimento sobre Boroday, pessoa ligada ao Kremlin, que foi enviado \u00e0 Donetsk de Moscovo. Os oficiais do GRU que torturavam uma das v\u00edtimas com qual falamos, o tratavam como chefe. N\u00f3s temos um caso documentado em que ele estava tentando obter o resgate de um milh\u00e3o de d\u00f3lares pela vida de um prisioneiro. Era um prisioneiro especial, que, como supomos, provavelmente pretendiam levar \u00e0 R\u00fassia e julgar l\u00e1 juntamente com [piloto] Nadia Savchenko. Mas os carrascos de Donetsk o mutilaram bastante e Boroday, de acordo com o depoimento, disse-lhes que eles foram longe demais e \u201cessa pilha de carne\u201d agora n\u00e3o servia. Quando ele viu que n\u00e3o haver\u00e1 o pagamento de resgate, ordenou a execu\u00e7\u00e3o do prisioneiro. Este s\u00f3 sobreviveu porque no caminho \u00e0 sua execu\u00e7\u00e3o, no cemit\u00e9rio, ele foi \u201cpego\u201d por um outro grupo.\r\n\r\n<strong>\u2014 Outro grupo?<\/strong>\r\n\u2014 L\u00e1 as coisas funcionam assim. O prisioneiro foi levado por um grupo [terrorista] rival, que o trocou por algu\u00e9m de quem eles precisavam, mas que se encontrava numa cadeia ucraniana. Quando eu recolhia os depoimentos, tinha a impress\u00e3o que do outro lado n\u00e3o est\u00e1 um pseudo-estado separatista ou russo, mas bandos criminosos. Eles competiam nos saques, arrancavam uns aos outros os prisioneiros valiosos, pelos quais poderiam pedir o resgate...\r\n\r\n<strong>\u2014 Porque voc\u00eas, polacos, se dedicam \u00e0 isso?<\/strong>\r\n\u2014 Para que tudo isto n\u00e3o morra de causas naturais, de modo que o mundo n\u00e3o deixe isso esquecido, para que o mundo saiba.\r\n\r\n<strong>\u2014 Este motivo aparecia nas palavras das v\u00edtimas: para que o mundo saiba?<\/strong>\r\n\u2014 \u00c0s vezes eu via nos olhos das pessoas com quem fal\u00e1vamos, a esperan\u00e7a (que imponha, diria eu, uma grande obriga\u00e7\u00e3o moral) que algu\u00e9m, ainda mais os estrangeiros est\u00e9 interessado nisso, ent\u00e3o isso ter\u00e1 algum efeito.\r\n\r\n<strong>\u2014 E assim ser\u00e1?<\/strong>\r\n\u2014 Se o caso subir \u00e0 tribunal de Haia, este poder\u00e1 decretar a procura dos criminosos, poderia enviar os seus pr\u00f3prios investigadores. Ucr\u00e2nia n\u00e3o assinou o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, mas o parlamento ucraniano decidiu que tudo o que aconteceu depois do in\u00edcio da guerra, passa para a jurisdi\u00e7\u00e3o de Haia. Espero que, mesmo que essas pessoas n\u00e3o pudessem ser levados \u00e0 justi\u00e7a, porque a R\u00fassia n\u00e3o vai os entregar, pelo menos eles v\u00e3o sentir o medo. E se reduzir\u00e1 a escala de crimes. Afinal, nada disso acabou, tudo continua. Estamos em contato com as pessoas que est\u00e3o envolvidas na troca de prisioneiros, eles regularmente telefonam para n\u00f3s. Dois dias atr\u00e1s, recebi as informa\u00e7\u00f5es sobre um homem que foi libertado do cativeiro russo, passando l\u00e1 um ano. Dizem que ele esta em um estado terr\u00edvel. Mas ele quer falar...\r\n\r\n<hr \/>\r\n<p style=\"text-align: left; font-style: italic; font-weight: bold;\">Ler o relat\u00f3rio completo (em ingl\u00eas, franc\u00eas e polaco): <a href=\"http:\/\/www.donbasswarcrimes.org\/report\" target=\"_blank\">http:\/\/www.donbasswarcrimes.org\/report<\/a>\r\n<\/br>O grupo polaco de investiga\u00e7\u00e3o na rede Facebook: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/RosyjskieZbrodnieNaUkrainie\" target=\"_blank\">https:\/\/www.facebook.com\/RosyjskieZbrodnieNaUkrainie<\/a><\/p>","amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=211"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":219,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/211\/revisions\/219"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/212"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/informnapalm.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}