Voluntários da Comunidade Internacional de Informação OSINT InformNapalm receberam uma prova visual exclusiva dos relatórios sobre o primeiro avistamento oficial da estação de radar 51U6 Kasta-2E1 russa na parte ocupada do Donbas ucraniano.Por isso, iremos complementar o relatório da OSCE com informações e factos adicionais.
A estação de radar russa desse tipo foi detectada pela primeira vez pelos observadores da OSCE nas imagens de um mini drone. Informações textuais sobre o avistamento foram publicadas no relatório diário da Missão de Monitorização Especial da OSCE (em inglês: SMM) 38/2021 datado de 17 de Fevereiro de 2021. O relatório indicou um equipamento 51U6 Kasta-2E1, radar de aquisição de alvos foi detectado a 15 de Fevereiro de 2021 numa área de treino perto de Buhaivka (37 km a sudoeste de Luhansk), no território temporariamente ocupado da Ucrânia, controlado por forças híbridas russas. Também foi indicado que a estação estava localizada a 30 km da linha de contacto.
Escondido à vista de todos *, sob a bandeira da Ucrânia
Na fotografia veem-se os militares russos ** que operam esta estação de radar no Donbas, depois de terem visto o mini drone da SMM da OSCE, a tentar apressadamente disfarçar o equipamento, a cobri-lo com lona ou película pintada nas cores azul e amarelo, bem como a bandeira da Ucrânia. Parece uma manobra para enganar os observadores e ocultar a origem russa do radar 51U6 Kasta-2E1. É irónico que nas posições das forças de ocupação russas no Donbas, sem redes de camuflagem convencionais, houvesse material para a rápida “ucrâniazação” do equipamento. Também poderia ter sido um “ardil de guerra” de algum comandante engenhoso.
*Em 2015, o centro de análise de Atlantic Council publicou o relatório intitulado “Escondendo-se à vista de todos: a guerra de Putin na Ucrânia”. O relatório apareceu em 5 línguas apresentando evidências irrefutáveis de que as Forças Armadas russas estavam a ser deslocadas para o território da Ucrânia. A tradução oficial do relatório para ucraniano e para russo foi feita por voluntários do InformNapalm. Os materiais da Comunidade Internacional Voluntária de informação InformNapalm também foram incluídos e creditados nessa investigação.
**Como resultado de inúmeras investigações OSINT da InformNapalm, que foram sistematizadas no maior banco de dados aberto do mundo com factos da localização de equipamento e militares russos na Ucrânia, sugerem fortemente que equipamento militar avançado, como o de guerra eletrónica e sistemas de radar, estão a operar e a ser equipados no Donbass exclusivamente por militares de carreira bem treinados da Rússia.
Na fotografia acima, do VANT da SMM da OSCE, há “stands de informação” perto dos equipamentos e suportes para material militar, um sinal claro de uma organização militar profissional com processos logísticos adequados.
O processo de estabelecer de coordenadas e geolocalização do local
Os voluntários da InformNapalm analisaram os dados de origem da imagem (30 km da linha de frente, 37 km a sudoeste de Luhansk) e geo-localizaram o local com as coordenadas exactas da localização do radar russo 51U6 Kasta-2E1. Coordenadas 48°24’50.2″N 38°52’36.9″E.
Gostaríamos de acrescentar algumas capturas de ecrã para comparação visual e justificativa.
Imagens de satélite de 2018 da mesma área também mostram barris de óleo diesel ali armazenados, bem como equipamentos militares não identificados nas proximidades, cobertos por uma rede de camuflagem.
51U6 Kasta-2E1 russo com função anti-VANTs
Vale a pena notar que a estação móvel russa de radar UHF 51U6 Kasta-2E1 (NATO: Flat Face E, nome alternativo Casta 2E) foi projectada especificamente para detectar alvos no ar, incluindo aqueles que voam em altitudes ultra-baixas. Como a Ucrânia não usa nenhum poder aéreo na zona de Operação das Forças Conjuntas, a estação aparentemente é usada especificamente para caçar drones.
*Nota do tradutor: UHF – Ultra High Frequency, que significa Frequência Ultra-Alta, é a designação da faixa de radiofrequências compreendida entre 300 MHz e 3 GHz. É usualmente representada pela sigla UHF
Em Outubro de 2020, a InformNapalm apresentou conclusões com base em dados de inteligência e apontou para sinais de preparação para uma escalada das hostilidades no Donbas. Alguns factos indicavam que o exército híbrido russo provavelmente estaria a preparar defesas contra os drones de ataque Bayraktar TB2. Aparentemente, o uso do radar russo 51U6 Kasta-2E1 no território ocupado é uma tentativa de levar em conta a experiência recente de usar drones de ataque Bayraktar TB2 durante as hostilidades entre o Azerbaijão e a Arménia.
Características técnicas
O sistema de radar 51U6 Kasta-2E1 inclui os seguintes veículos:
- uma unidade de antena montada no chassi KAMAZ-43114;
- um veículo com controle e equipamentos auxiliares juntamente com uma unidade de alimentação a diesel AD-30 num reboque uniaxial.
A tripulação da estação é composta por 6 militares. Fotografia do radar 51U6 Kasta-2E1. Fonte: bastion-opk.ru
A estação pode operar até 20 dias em modo de operação contínua. Raio de detecção do alvo – de 5 a 150 km, altitude – até 6 km.
Os radares 51U6 Kasta-2E1 foram produzidos entre 1989 e 2003 nas instalações da fábrica de instrumentos de medição de rádio de Murom na Federação Russa. Tais sistemas não foram fornecidos à Ucrânia nem antes, nem depois do colapso da URSS, portanto, a localização deste equipamento no Donbas é mais uma prova irrefutável da agressão da Federação Russa contra a Ucrânia. O banco de dados da InformNapalm contém factos sobre mais de 50 tipos de armas e equipamentos militares russos que não poderiam ter sido capturados em combate e foram fornecidos secretamente ao Donbas pela Federação Russa. Essas descobertas recentes fornecem mais uma confirmação de que a Rússia controla, fornece e dirige totalmente as operações militares no leste da Ucrânia.
Escalada no Donbas e minagem remota
De acordo com a assessoria de imprensa do JFO, a 23 de Fevereiro de 2021, as forças híbridas russas mais uma vez violaram cinicamente o cessar-fogo e, além de bombardear as posições das Forças Armadas Ucranianas com armas proibidas, abriram fogo contra a aldeia de Vilny Khutir na região de Luhansk. Os invasores russos bombardearam as áreas civis com lançadores de granadas antitanque montados em tripés e também realizaram minagem remota da povoação. Como resultado, um civil morreu devido a vários ferimentos causados por um morteiro que explodiu no seu quintal.
Segundo a ONU, de Abril de 2014 a 31 de Janeiro de 2021, de 13.100 a 13.300 pessoas morreram em consequência da guerra no Donbas.
A agressão militar híbrida russa no leste da Ucrânia foi uma continuação da operação para ocupar a Crimeia ucraniana. Também desviou a atenção da comunidade mundial da questão da Crimeia. Cada escalada no Donbas encobre ainda mais a ocupação da Crimeia na mente da comunidade internacional, embora ambas as campanhas militares sejam componentes da guerra não declarada da Rússia contra a Ucrânia.
