No último dia 4 de abril três cidadãos ucranianos foram à Bruxelas para contar sobre abusos, tortura e humilhações que eles foram alvos no seu cativeiro terrorista na Ucrânia ou durante a prisão ilegal na Rússia. O seu depoimento contará para auscultação prévia do Tribunal Penal Internacional de Haia.
O nosso blogue já escreveu sobre a iniciativa da deputada do parlamento polaco, Małgorzata Gosiewska em produzir o relatório dedicado aos crimes da guerra russos, cometidos no leste da Ucrânia contra os civis e militares ucranianos (Os crimes russos da guerra no leste da Ucrânia). Todos estes depoimentos poderão contribuir, através dos casos concretos, para que os grupos separatistas, conhecidos pelas siglas de “dnr” e “lnr” sejam considerados as organizações terroristas, patrocinados pela federação russa.
Maratona de orações
De dia, Oleksandr transportada fora de Donetsk, para Ucrânia livre, as famílias com as crianças pequenas ou doentes. Uns com ajuda de autocarros, outros, com as crianças deficientes, na sua própria viatura.
Nas masmorras do “NKVD”
Oleksandr foi preso em 4 de agosto de 2014, quando veio à oração, após retirar da cidade mais uma família. [Os terroristas disseram]: “Somos da inteligência do exército ortodoxo. Você está preso”. A permissão emitida pelo Município foi rasgada pelos terroristas e Oleksandr e uma das suas paroquianas foram levados à sede provincial da polícia [em poder dos terroristas]. A acusação foi: “Vocês não têm o crucifixo. Que tipo de ortodoxos são vocês?” A paroquiana mostrou o seu crucifixo e acabou por ser libertada, o pastor e o seu ajudante Valério foram levados à cidade de Makeevka. Num dos momentos, Oleksandr achou que estava à sonhar, quando viu a escrita no edifício: “NKVD”.
O bandido que torturou o pastor em Donetsk contou que vinha de Belgorod (Rússia) para combater o fascismo. Oleksandr conta que mais uma vez ficou perplexo, pois pela ortodoxia lutava o terrorista com alcunha de “Bes” (Demónio), contra o fascismo lutava um tal de “Abwehr”.
Três fuzilamentos em quatro dias
Em quatro dias de cativeiro, Oleksandr foi três vezes levado ao fuzilamento. Na primeira vez a rajada passou por cima da cabeça, embora o pastor conta que estava preparado para morrer. No primeiro dia do cativeiro ele via e ouvia como matavam os ucranianos: alguém foi morto com a espingarda automática, outro foi alvo do “teste” do morteiro. Uma pessoa foi colocada de joelhos e levou a bala na nuca. Pela segunda vez pastor foi levado ao fuzilamento em Makeevka, colocado na berma do buraco cheio de corpos dos prisioneiros fuzilados. “Após a guerra, iremos encontrar muitas valas comuns deste tipo”, – diz Oleksandr e conta que após se confessar instantaneamente, disse às canalhas que estavam à sua frente: «Obrigado, vós, meus amigos. Eu sei à onde vou, o vosso caminho é o lugar nenhum». Mais uma vez os terroristas dispararam ao lado…
A vida após o cativeiro
Após o cativeiro, Oleksandr foi à cidade de Mariupol, onde por ele esperavam os estudantes, a filha com os netos e o genro. Embora recebeu as propostas de servir a igreja em Kyiv ou Odessa, para já ficou em Mykolaiv, na companhia de um dos seus melhores amigos. Vive em um quartinho junto à igreja. Fica contente com pouca coisa. Considera como a sua missão principal as visitas à zona da Operação Antiterrorista, para salvar as almas dos jovens militares ucranianos. Quando estes lhe fazem as perguntas pouco religiosas, por exemplo, sobre o significado da guerra, lhes explica: “não confundem o país e o Estado; o Governo e o povo”.
Para Bruxelas pastor Oleksandr levou os desenhos infantis e as imagens do Maydan de oração de Donetsk, o mesmo que sobreviveu por 158 dias.
Ver o relatório completo (em inglês, francês e polaco): http://www.donbasswarcrimes.org/report
O grupo polaco de investigação na rede Facebook: https://www.facebook.com/RosyjskieZbrodnieNaUkrainie
CC BY 4.0. «InformNapalm». All Rights Reserved.
