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    Abate do Mi-35M russo na Síria: análise do caso

    on 2016-07-12 | | Notícia | Síria

    No dia 8 de junho nos combates nos arredores de Parmira, foi abatido o helicóptero pilotado por um dos melhores pilotos russos, o coronel Ryafagat Habibullin, o comandante da 393ª Base aérea da aviação militar da federação russa, a unidade de maior prontidão combativa, desenvolvida para servir nas ações contra Ucrânia e contra as suas Forças Armadas (FAU).

    O caso é um exemplo clássico da mentira aguda do Ministério da Defesa russo que usando os mesmos esquemas de propaganda esconde os números de baixas russas na sua guerra não declarada contra Ucrânia, escreve o jornalista ucraniano Yuriy Butusov.

    No dia 8 de junho a guerrilha síria anunciou a destruição do helicóptero militar russo. No mesmo dia, o Ministério da Defesa russo emitiu um comunicado oficial: “Todos os helicópteros de combate russos que se encontram na República Árabe da Síria, após as tarefas planeadas, voltaram em segurança aos aeródromos. Não houve perdas entre as aeronaves russas” (http://www.interfax.ru/world/517668).

    Na manha do dia 9 o Ministério russo esclareceu: “Na área de Palmira os combatentes abateram um helicóptero de ataque Mi-24 do exército governamental […] Este foi abatido pelos terroristas à partir da superfície. […] De acordo com a fonte, a sorte da tripulação é desconhecida” (http://www.interfax.ru/world/517671).

    No entanto, os militantes, como sempre, possuíam um operador que filmou o momento do abate e a federação russa reconheceu, ao contragosto, a perda do helicóptero: “O helicóptero sírio Mi-25 com a tripulação russa foi abatido por militantes do EI […] nos arredores da Palmira com auxílio do sistema do míssil pesado americano antitanque TOW. […] O helicóptero, esgotando a sua munição, estava navegando de volta [à base] em altitudes ultra baixas. […] A tripulação do helicóptero morreu” (http://www.interfax.ru/world/517728).

    Ou seja, tudo começa por “é tudo mentira, eles não estão lá”, mas com o tempo as versões do acontecimento vão mudando.

    O vídeo divulgado pelo operador dos militantes de uma forma rapidíssima foi disseminado nas diversas redes sociais:

    O vídeo mostra como um par dos helicópteros russos estava atacando os alvos, o helicóptero líder disparava o canhão e usava os mísseis não guiados, quando aconteceu uma explosão e a cauda de helicóptero foi destruída em pedaços. O helicóptero caiu e explodiu.

    E assim chegamos às verdades inconvenientes que o Ministério da Defesa russo procurou ocultar:

    1. O helicóptero abatido não era o velho Mi-25 do exército sírio comprado ainda na URSS. Estamos perante o moderníssimo helicóptero do agrupamento russo na Síria, do tipo Mi-35M. É fácil identifica-lo, tendo um silhueta muito próxima ao Mi-24, o Mi-35M tem uma diferença notável – o rotor de cauda em forma de X e o chassi de pouso não retrátil. Estes helicópteros foram recebidos pelo contingente militar russo na Síria no final de 2015, nesta foto são bem visíveis as particularidades da silhueta do Mi-35M.

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    Até 8 unidades de helicóptero Mi-35M operam à partir da 393ª Base aérea russa, comandada pelo coronel Habibullin, ora liquidado na Síria (http://ria.ru/arms/20120813/722531848.html).

    Para que os russos mentiram sobre o modelo do helicóptero? Para não envergonhar as suas produções mais modernas. O preço de venda do Mi-35M aos mercados externos é de 35 milhões de dólares! A Rússia tem medo de perder o mercado, caso os potenciais compradores fiquem convencidos da ineficácia dos seus sistemas de defesa contra os MANPADS. Supostamente o Mi-35M foi atingido por trás, numa emboscada, não usando MANPADS, assim que o sistema de defesa não funcionou, o helicóptero foi aniquilado por um disparo do chão, tipo puro azar. Na realidade o disparo não foi guiado manualmente, o Mi-35M foi atingido por míssil auto-guiado e o sistema de defesa do helicóptero bastante caro não funcionou.

    2. As circunstâncias do combate foram completamente distorcidas pelo Ministério da Defesa russo. Habibullin não estava realizar o voo de teste, mas em grupo de duas unidades estava efetuar os disparos dos mísseis não guiados contra alguns objetos, protegidos pelo fogo antiaéreo dos militantes nos arredores da Palmira.

    O “instrutor” Habibullin estava efetuar uma missão de combate, ou seja, agia como mercenário. O que significa que o regime do Asad não tem as tripulações e em vez dos pilotos sírios, as cidades são bombardeadas e as operações contra os oponentes do Asad são efetuados pelos pilotos russos. O nosso “voluntário” estava, alegadamente, defender o “mundo russo”, nas férias e em Síria.

    3. À julgar pela explosão, Mi-35M foi abatido pelo míssil MANPAD dos militantes e não pelo TOW-2 americano (um disparo limpo na cauda do aparelho, perda do rotor). O helicóptero não estava navegar às altitudes ultra baixas, ele estava atacar os alvos. A explicação que defende um disparo de sorte, por trás e nas altitudes ultra baixas de um míssil antitanque com controlo manual, anula qualquer responsabilidade dos criadores do sistema de defesa antimísseis do helicóptero. Mas na verdade, não se trata da sorte dos rebeldes. O helicóptero foi abatido por um míssil antiaéreo e a tripulação do helicóptero não recebeu o aviso, eles não estavam preparados para o ataque, e não conseguiram aniquilar o sistema de auto guiagem do míssil.

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    Para que mentiram sobre a “mão americana”? Para enfatizar que os militantes são capazes de infringir as perdas [aos russos e aos sírios] apenas graças ao fornecimento de armas americanas. E que os russos, desta maneira, combatem os americanos – isso é necessário para a propaganda interna.

    No decorrer da sua intervenção militar na Síria, Rússia já perdeu 3 helicópteros: o Mi-8 de resgate, o Mi-28N de combate (em acidente, segundo os dados oficiais) e Mi-35M.

    O perfil do mercenário russo

    O coronel Ryafagat Habibullin (1965) foi um dos pilotos militares russos mais experientes. Ele participou na invasão da Geórgia em 1993-94, na 1ª e 2ª guerras chechenas (1994-2002). Na Chechénia o seu Mi-24 foi abatido pelo fogo da metralhadora pesada DShK, Habibullin foi o único membro sobrevivente da tripulação. Participou na invasão da Geórgia em 2008 e na guerra civil de Síria em 2016. Pelos dados de 2008 Habbibullin possuía o recorde de voos de 3200 horas, destes 2800 horas de combate, efetuou mais de 2000 voos de combate; tinha a qualificação de “piloto – sniper”.

    O coronel comandava a 393ª Base aérea na cidade de Korenovsk na região de Krasnodar. A base recebe os helicópteros russos mais modernos, goza de estatuto da base de elite, captando investimentos de vulto para o desenvolvimento do complexo aeroportuário e da infra-estrutura.

    A publicação militar russa army-news.ru explicava em 2015 a importância da 393ª Base, não fazendo nenhum segredo do seu objectivo – as hostilidades militares contra Ucrânia, Moldova e Roménia, possivelmente contra Geórgia:

    A implantação de unidades de helicópteros equipados com Mi-28N e Ka-52 é uma parte muito importante de aumento do poder da Circunscrição Militar do Sul. Estes helicópteros podem conduzir as operações de combate contra os veículos blindados da Moldávia, Roménia e Ucrânia na Transnístria […] Actualmente a 393ª Base Aérea de helicópteros está armada com 16 unidade de Ka-52 e 12 do Mi-28N, após a entrada em funcionamento da nova infra-estrutura, o número total destas aeronaves será superior às 50 unidades.

    A guerra contra Ucrânia

    O coronel Habibullin possivelmente foi envolvido em agressão militar russa contra Ucrânia em 2014. Os militares ucranianos informavam repetidamente sobre a violação de fronteiras da Ucrânia pelos modernos helicópteros de combate russos Ka-52 “Alligator” e Mi-28. Em 25 de agosto de 2014 perto da aldeia ucraniana Krasnaya Talovka, o destacamento do Serviço de Guarda-fronteira da Ucrânia entrou em combate contra um grupo militar russo, apoiado pelos blindados, que cruzou ilegalmente a fronteira estatal ucraniana. No meio da batalha, dois helicópteros militares russos atacaram as posições ucranianas – os 4 soldados ucranianos morreram.

    Assim, é óbvio que a 393ª Base aérea russa na Síria combate ativamente, inserida no exército de Assad. Se o Mi-35M não pertencia às Forças Armadas russas, e pertencia aos sírios, então coronel Habibullin fazia biscates para Asad na qualidade de um mercenário.

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