
O grupo hacker ucraniano 256.ª Divisão de Assalto Cibernético, em cooperação com a Comunidade Voluntária Internacional de informação InformNapalm, levou a cabo mais uma operação de CYBINT, no âmbito da qual foram obtidos dados de inteligência de grande relevância para as Forças de Defesa da Ucrânia.
O principal foco da parte pública desta investigação é a exposição de factos relativos às cadeias de abastecimento de armas contrabandeadas provenientes da zona de combate para a Crimeia temporariamente ocupada. Por sua vez, a península funciona como um hub logístico para o posterior transporte de armamento para “mercados negros” proveniente de várias regiões da Rússia, bem como para países da Europa, da Ásia Ocidental e de África, recorrendo a petroleiros da chamada “frota sombra” russa.
No decurso da operação, foram comprometidas contas de oficiais russos, entre os quais o Major Evguéniy Dmítriev, comandante de um pelotão da companhia de assalto russa “Storm V” do 291.º Regimento de Infantaria Motorizada da Guarda (42.ª Divisão de Infantaria Motorizada, 58.º Exército de Armas Combinadas), actualmente activo no eixo de Zaporizhzhia.
Foram igualmente revelados factos que comprovam a colaboração entre oficiais russos e representantes do batalhão dos Kadyrovtsy “Vostok-Akhmat” no âmbito do comércio ilegal de armamento.
Além disso, após o acesso às contas dos oficiais russos, os hackers ucranianos executaram com sucesso uma operação com recurso a técnicas de engenharia social. Fazendo-se passar por um major russo, induziram em erro os administradores do popular canal Z com mais de um milhão de seguidores, “Dois Majores”, levando-os a transferir fundos de uma angariação em curso destinada ao 291.º Regimento das Forças Armadas da Federação Russa para as Forças de Operações Especiais das Forças Armadas da Ucrânia (o relatório pode-se ver no vídeo no final da publicação).
Prefácio. O “mercado negro” de armas proveniente da chamada “operação militar especial”
O “mercado negro” de armas constitui um fenómeno absolutamente típico da Rússia, que ao longo da sua história recente tem conduzido de forma sistemática guerras locais de carácter agressivo. A invasão em larga escala da Ucrânia apenas veio ampliar a sua dimensão e aumentar significativamente o número de intervenientes. De acordo com o Global Organized Crime Index, funcionários corruptos das estruturas russas de aplicação da lei facilitam a circulação de armas contrabandeadas, tanto no interior do país como para países da Europa, da Ásia Ocidental e de África.
Especialistas assinalam que, ao longo de quase quatro anos de guerra, a Crimeia temporariamente ocupada passou a assumir o papel de principal e relativamente seguro hub de trânsito de armamento proveniente da linha da frente.
Após o atentado terrorista de 22 de Março de 2024 no Crocus City Hall, na região de Moscovo, até o canal Z russo “Grey Zone”, associado à empresa militar privada “Grupo Wagner”, sugeriu a eventual participação do grupo dos Kadyrovtsy “Akhmat” na organização de um fluxo descontrolado de armas a partir da frente de combate (arquivo da publicação). Segundo essa versão, a contra-inteligência militar do FSB da Federação Russa estaria ciente da situação, mas seria incapaz de intervir devido à influência política e à protecção directa de Ramzan Kadyrov.
Fotografia ilustrativa. O chefe da República da Chechénia, Ramzan Kadyrov, o director da administração da Rosgvardyia na república da Chechénia, Sherip Delimkhanov, e o director da Rosgvardyia, Viktor Zolotov
Cadeias de contrabando de armas. Dados de inteligência
Os dados obtidos no decurso de operações de inteligência cibernética (CYBINT) indicam que, nos eixos operacionais de Zaporizhzhia e Kherson dos territórios temporariamente ocupados, os militares russos estabeleceram um canal de abastecimento de armas desde a linha da frente até à Crimeia temporariamente ocupada. Trata-se de um “horário de funcionamento” regular de determinados turnos da Rosgvardyia nos postos de controlo da estrada R-280, nos troços Berdyansk – Melitopol – Chonhar – Simferopol, que permitem a passagem de cargas suspeitas: ou sem qualquer verificação (um serviço destinado a clientes regulares e de confiança), ou mediante pagamento, fechando os olhos às incongruências entre os documentos e o que é efectivamente transportado.
Os coordenadores destes esquemas de tráfico de armas são oficiais do 46.º Regimento de Operações de Assalto da Guarda, composto em 99% por elementos da Chechénia e do Daguestão. Esta base principal de caucasianos está sediada em Ascania Nova e nas localidades adjacentes da região de Kherson, mas o quadro de comando encontra-se igualmente distribuído por Illínka, Novotroitske, Chaplynka e Kalanchak.
A destruição do grupo “Española” pelo grupo “Akhmat”
No contexto da introdução, convém mencionar que, durante certo período, os Kadyrovtsy enfrentaram concorrência no mercado ilegal de armas por parte do grupo russo “Española”, composto por ultras de futebol e elementos da extrema-direita. Em Dezembro de 2025, o fundador e líder do grupo, Stanislav Orlov, com o cognome “Espanhol”, foi assassinado a tiro na sua residência de campo, no condomínio “Flotskoye”, em Sevastopol. Segundo a versão principal, a motivação terá sido conflitos com outras organizações criminosas e forças de segurança relativamente à utilização de rotas logísticas através da Crimeia ocupada para o transporte de armas provenientes da zona de combate. Em particular, o grupo “Espanhola” aproveitava-se do estatuto de colunas “humanitárias” e de voluntariado para evitar verificações rigorosas nos postos de controlo.
O Major Dmítriev como fonte de inteligência
Um dos oficiais russos, cujo exemplo utilizamos para ilustrar esta investigação e que esteve activamente envolvido em esquemas de contrabando de armas em cooperação com os Kadyrovtsy, é o Major Evguéniy Nikoláievich Dmítriev. Dmítriev desempenhou as funções de comandante de pelotão da companhia de assalto “Storm V” do 291.º Regimento de Infantaria Motorizada da Guarda, da 42.ª Divisão de Infantaria Motorizada, 58.º Exército de Armas Combinadas, actualmente envolvido em operações no eixo de Zaporizhzhia.
Evguéniy Dmítriev nasceu em 26 de Dezembro de 1983, na localidade de Krasnogvardeyskoye, na região de Stavropol. Visitou os pais pela última vez em Junho de 2025, durante uma licença. A sua residência registada encontra-se em Stavropol, Rua Dovatortsev, nº 77, bloco 1, apartamento 29.
O seu número militar pessoal é X-648025. Utiliza os números de telefone +7(962)4347515, +7(961)4957515 e +7(949)9866262, e o endereço de correio electrónico dmitriev_ev83@bk.ru
Fotografia tirada após a cerimónia de entrega da medalha comemorativa do comando do 58.º Exército, o “Cruz de Assalto” (na fotografia de grupo, o Major Dmítriev encontra-se ao centro).
Localização do apartamento em Stavropol e declaração de Dmítriev sobre o pagamento do salário militar através do “Promsviazbank”
Passaporte e carta de condução de Dmítriev
Fotografia do Major Dmítriev durante tratamento hospitalar
Evguéniy Dmítriev foi enviado para a chamada “operação militar especial” após cumprir pena numa colónia de regime severo, para onde, em Agosto de 2023, o tribunal de Vladikavkaz o condenou por tráfico de estupefacientes em grande escala. O Major não apenas vendia os estupefacientes, como também experimentava os psicoestimulantes em si próprio. Por este motivo, segundo o parecer pericial no âmbito do processo, foi-lhe diagnosticado um distúrbio mental e comportamental. Por cada “entrega” de droga recebia 1000 rublos. Estes dados constituem uma prequela evidente para o contrabando de armas, atividade com a qual começou a envolver-se já depois de assinar o contrato e ser destacado para a zona de operações militares.
Documentos do processo judicial de Dmítriev
Para evitar ir para a prisão, Dmitriev assinou um contrato de dois anos na chamada “Operação Militar Especial” de 31/05/2024 a 30/05/2026 como comandante de pelotão da companhia de assalto disciplinar «Storm V».
Como se pode ver no extrato, inicialmente o comité militar de Stavropol indicou incorretamente o seu posto como «tenente sénior», mas mais tarde corrigiu o erro, ao encontrar extratos das ordens de 2017.
Informações sobre o primeiro contrato e extrato da ordem relativa à nomeação do posto militar de “Major”
Documento de identificação do oficial Dmítriev.
Exemplos de dívidas e um dos últimos processos executivos de Dmítriev.
Oficialmente, Dmítriev não se encontra casado, mas assegura o sustento de dois filhos menores. Graças ao seu contrato para a guerra de agressão contra a Ucrânia, o seu filho Zakhar, nascido em 2010, já beneficiou de vantagens na matrícula num estabelecimento de ensino.
Informações sobre a composição familiar, segundo o questionário de Dmítriev
Certificado de vantagens de matrícula para o filho Zakhar
Realidades militares em torno do 291.º Regimento e vídeos internos do Major Dmítriev
Segundo dados de intercepções de inteligência cibernética (CYBINT), o 291.º Regimento de Infantaria Motorizada da Guarda das Forças Armadas da Federação Russa, ao qual pertence a companhia de assalto do Major Dmítriev, combate principalmente no eixo de Zaporizhzhia – nas áreas de Orikhiv, Tokmak e Robotyne – como parte da 42.ª Divisão de Infantaria Motorizada da Guarda, integrada no grupo de forças “Dnieper” do 58.º Exército de Armas Combinadas.
Nos anos de 2023-2024, o regimento foi uma das principais unidades nas batalhas em torno de Robotyne. Os confrontos prolongados e a constante alteração do controlo sobre as posições practicamente “esgotaram” repetidamente o seu efetivo. Presentemente, o 291.º Regimento, juntamente com outras unidades da 58.ª Arma, continua a operar no setor de Orikhiv. Ao longo de 2025, a sua actividade centrou-se sobretudo na defesa de posições e em assaltos localizados, acompanhados de elevadas baixas tanto irreversíveis como sanitárias, mas sem alterações substanciais na linha da frente.
O quartel permanente do regimento (unidade militar nº 43057) localiza-se em Vladikavkaz, República da Ossétia do Norte – Alânia, e o quartel temporário na localidade de Dunaivka, distrito de Priazovskyi, região de Zaporizhzhia.
De intercepções de correspondência, sabe-se que o efectivo se queixava repetidamente do comandante do regimento, Tenente-Coronel Anton Robertovich Godina (nasceu em 1987), considerando-o um corrupto e um “cínico talhante”, indiferente às perdas humanas. Em condições de escassez crónica de pessoal e de tropas de assalto, isto resultava em ataques localizados regulares sem sentido táctico real, mas com altas perdas previsíveis.
Como relata o Major Dmítriev em mensagens trocadas com um colega, este é um exemplo de comandante típico, cuja característica principal é o medo da responsabilidade perante a hierarquia, a transferência de culpas para os subordinados e a determinação em “fechar relatórios” a qualquer custo.
Fotografia de Anton Godina.
Acto de verificação do pessoal de assalto
É reveladora a avaliação do nível de preparação do pessoal do subunidade «V», sob o comando do major Dmítriev, após um treino num dos polígonos de exercícios. A comissão reconheceu oficialmente que a subunidade não era apta para executar tarefas especiais destinadas às companhias de assalto.
Contudo, para a direcção do 291.º Regimento de Infantaria Motorizada da Guarda, esta conclusão não teve qualquer importância: imediatamente após os treinos, os soldados foram enviados para o assalto, ao mostrar mais uma vez que, para o comando russo, as pessoas são apenas material de consumo.
Como comandante de pelotão, Dmítriev não dá grande atenção às perdas do efectivo e cumpre as ordens com rigor. Contudo, por vezes, até ele se mostra surpreendido com a crueldade dos seus próprios superiores militares.
Numa das gravações de vídeo, dirigida a um conhecido do batalhão “Akhmat-Vostok”, Dmítriev relatava que a situação era tão crítica que um dos militares foi enviado para o assalto numa mota, ainda com um aparelho de Ilizarov – uma estrutura médica utilizada após fracturas graves, quando gessos ou placas já não são suficientes para a recuperação.
Para além de numerosos vídeos pessoais, Dmítriev armazenava na nuvem do servidor também a crónica dos interrogatórios de prisioneiros militares russos. Entre estes encontra-se uma gravação com Mikhail Nikoláyenko, possivelmente um conhecido seu. No vídeo, o prisioneiro relata calmamente que, durante o avanço para uma trincheira, apenas dois dos doze soldados sobreviveram. Os restantes não morreram por fogo ucraniano, mas sim sob os disparos de compatriotas russos, que lhes atiraram nas costas, sem lhes dar qualquer hipótese de fuga.
Eis como funciona o esquema de contrabando de armas. Entre os oficiais russos que comandam subunidades de assalto na linha da frente é prática comum inflacionar artificialmente as perdas de armas automáticas durante os assaltos ou, em alguns casos, enviar combatentes para o ataque sem a sua arma regulamentar. Normalmente, os soldados são instruídos a “obter a arma em combate”. Entretanto, a arma que permanece na posição é posteriormente dada como perdida segundo o procedimento administrativo, permitindo assim gerar armamento excedentário, que pode depois ser desviado para venda ilegal. As Forças de Operações Especiais das Forças Armadas da Ucrânia já haviam anteriormente relatado ataques russos conduzidos praticamente à mão desarmada, confirmando a existência deste tipo de práticas.
Outro método, não menos comum, envolve a chamada arma ou munição “capturada como troféu”, encontrada em áreas de combates activos e simplesmente não declarada nos relatórios oficiais. Na maioria dos casos, trata-se de material pertencente a unidades vizinhas.
Intercepções recentes das Forças de Defesa da Ucrânia, na zona de responsabilidade do 291.º Regimento russo, confirmam igualmente que enviar soldados para assaltos com um mínimo de munição, ou mesmo sem ela, há muito tempo tornou-se uma prática normal nessa unidade.
É difícil descrever em detalhe a experiência real de combate do Major Dmítriev enquanto comandante de pelotão. Entre centenas de fotografias pessoais, não existe uma única imagem em posições de combate, mas dezenas de fotografias na retaguarda, em abrigos subterrâneos ou até numa instalação sanitária, onde posa com um colete balístico novo. Para ele, a guerra existe como pano de fundo para “selfies”, e não como um risco partilhado com os subordinados que são “consumidos” nos assaltos. Ainda assim, importa referir que numa ocasião sofreu um ferimento ligeiro e foi hospitalizado.
Sessão de selfies do Major Dmítriev
Conclusão da Comissão Médica Militar e fotografia do Major Dmítriev após o ferimento
“Akhmat-Vostok” e a rota para a Crimeia
A partir das intercepções de correspondência, não é possível determinar onde Dmítriev conheceu pela primeira vez os seus “colegas Kadyrovtsy”: se na prisão, num aniversário de alguém, no quartel-general, durante as habituais visitas a uma sauna com “prostitutas-acompanhantes” ou durante tratamento no Hospital Naval 1472, em Sevastopol. Contudo, no verão de 2024, iniciou-se a cooperação activa do Major Dmítriev com os Kadyrovtsy do batalhão “Akhmat-Vostok”.
Para além do interesse financeiro, Dmítriev foi atraído pelas garantias de segurança, uma vez que, graças a ligações corruptas, os Kadyrovtsy podiam sempre alertar entre si e os participantes do esquema sobre inspecções surpresa da contra-inteligência, do FSB ou do Comité de Investigação, que operam regularmente na sua zona de responsabilidade e se fazem passar por compradores para identificar quem pretende vender armas.
Da mesma forma, os Kadyrovtsy e os seus aliados entre oficiais das Forças Armadas da Federação Russa não temem inspecções reforçadas do transporte militar na fronteira administrativa da região de Kherson temporariamente ocupada e da Crimeia, pois o “corredor verde” é previamente acordado.
Major Dmítriev e os seus “amigos caucasianos”
Esquemas de contrabando de armas: “Podemos até transportar uma arma nuclear, se for preciso”.
De acordo com as trocas de correspondência, o principal contacto do Major Evguéniy Dmítriev no comércio de armas é Nazir Radjabov, integrante do batalhão “Vostok-Akhmat”, igualmente subordinado ao 291.º Regimento e destacado no mesmo sector, na zona de Orikhiv.
Nazir Radjabov serviu juntamente com o Major Dmítriev e também esteve ao serviço da Rosgvardyia em Grozny até o período da chamada “SVO”.
É significativo que, em 2024, o comandante do “Vostok-Akhmat”, Vakha “Askhab” Khambulatov (antigo guarda‑costas de Ramzan Kadyrov), tenha estado envolvido num incidente à entrada da Melitopol temporariamente ocupada, quando elementos dos Kadyrovtsy agrediram de forma ostensiva representantes da polícia militar num posto de controlo e os ameaçaram com armas. Não se exclui que este tipo de comportamento intimidatório e deliberadamente agressivo contra representantes da polícia militar funcione como mecanismo para evitar inspecções aos veículos utilizados no transporte de armamento ilegal.
Fotografia do comandante do batalhão “Vostok-Akhmat”, Vakha Khambulatov, e de Ramzan Kadyrov
Segue‑se um exemplo de troca de mensagens entre Nazir e o major Dmítriev. As armas fornecidas por Dmítriev eram recolhidas quer pelo próprio Nazir, quer por pessoas da sua confiança, como, por exemplo, o comandante do pelotão de reconhecimento do «Vostok‑Akhmat», Ali «Nokhcho» Osmaev.
Particularmente interessante é a confiante afirmação de Nazir Radjabov:
“…Podemos até transportar uma arma nuclear, se for preciso”
Captura de ecrã da conversa entre Nazir e o Major Dmítriev
Estas e outras correspondências prosseguiram ao longo de um ano. Durante este período, o Major Dmítriev melhorou significativamente a sua situação financeira, adquirindo objectos e vestuário caros. Ao longo de toda a parceria com Nazir, a transferência de armamento teve de ser suspensa apenas algumas vezes, normalmente devido a informações sobre controlo reforçado e inspeções do FSB, das quais eram avisados pelos “seus próprios contactos” na estrutura.
As intensas operações de combate na frente na zona mencionada facilitavam consideravelmente os esquemas de desvio de armamento. Por exemplo, a 11 de Junho de 2024, Dmítriev recebia para o seu pelotão dez AK‑12 com munições, e já em 25 de Junho de 2024 entregou três AK‑12 e uma AK‑74 capturado como troféu, ficando com seis armas “perdas” para venda. Simultaneamente, não se esqueceu de partilhar os lucros com o substituto do chefe do serviço de Armamento de Artilharia e Mísseis, D.Timoshin, que recebia 200 dólares por cada arma dada como perda, e com o chefe do armazém, D.Rovenskiy, que obtinha 50 dólares por cada unidade de armamento.
Guias de transporte de armamento
Esta fase do “serviço” terminou em maio de 2025, quando o pelotão de assalto do 291.º Regimento (unidade militar nº 43057) do Major Dmítriev foi inicialmente destacado para a unidade militar nº 41830, localizada na aldeia de Terpinnya, distrito de Melitopol, região de Zaporizhia, e posteriormente Dmítriev recebeu a missão de se apresentar à disposição do 121.º Departamento de Investigação Militar do Comité de Investigação da Rússia em Donetsk, para execução das tarefas oficiais do seu superior. Presentemente, esta é a sua função em curso.
Certificado de serviço do Major junto do Comité de Investigação da Rússia em Donetsk ocupado
A dimensão do problema do tráfico de armamento no exército russo é bastante significativa. Por vezes, algumas pessoas até são detidas. Assim, na sequência de “cartas de denúncia” enviadas ao FSB por cidadãos preocupados, realizou-se uma grande operação a 12 de Dezembro de 2025, durante a qual o FSB, a polícia e a Rosguardyia detiveram 169 pessoas de 53 regiões da Rússia, implicadas no tráfico ilegal de armamento. Entre o material apreendido encontravam-se metralhadoras, armas de assalto, lançadores de granadas, carabinas, minas, cerca de 220 mil munições, assim como quantidades significativas de TNT e pólvora.
Segundo os últimos dados da Procuradoria-Geral da Federação Russa, na primeira metade de 2025 registou-se um agravamento recorde da criminalidade, com mais de 27 mil crimes, em comparação com 23,7 mil no mesmo período do ano anterior. Os “líderes” desta estatística são as regiões fronteiriças da Rússia, que fazem fronteira com os territórios da Ucrânia temporariamente ocupados pelo exército russo.
Contudo, o próprio Major Dmítriev e os seus cúmplices do “Vostok-Akhmat” não foram detidos durante esta operação, pelo que ainda têm o futuro por diante, embora Dmítriev já tenha cumprido uma missão que poderá complicar ainda mais o seu serviço nas Forças Armadas da Rússia.
“Em vez de epílogo: como hackers ucranianos utilizaram o Major Dmítriev para desviar fundos da angariação do canal Z “Dois Majores”
Para além dos dados de inteligência fornecidos para este estudo CYBINT, os hackers ucranianos da 256.ª Divisão Cibernética de Assalto explicaram como utilizaram astutamente o Major Dmítriev para enganar os administradores do canal Z com um milhão de seguidores, “Dois Majores”.
Comunicação com Dmítriev antes da publicação
Os hackers aproveitaram a angariação de fundos em curso do canal Z “Dois Majores”, destinada ao 291.º Regimento russo, e contactaram os administradores em nome do próprio Major Dmítriev, que posteriormente “ajudou” a redireccionar os fundos para as necessidades das Forças Armadas da Ucrânia.
Correspondência de Dmítriev com os administradores do canal Z “Dois Majores”
Os hackers ucranianos também revelaram que os fundos obtidos durante a operação especial foram canalizados para a compra de drones para as Forças de Operações Especiais das Forças Armadas da Ucrânia. Foram também anexados relatórios em vídeo dos combatentes das Forças de Operações Especiais (SSO).
Só se pode dar os parabéns aos “ruscistas” que doaram para o canal Z “Dois Majores” com destino ao 291.º Regimento das Forças Armadas Russas, pois os seus fundos acabaram apenas por reforçar as Forças de Defesa da Ucrânia.
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