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    Ciberespecialistas ucranianos expõem utilização do território da Bielorrússia por operadores de drones russos

    on 2026-04-22 | | Agressão Russa | Notícia
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    A 18 de Fevereiro de 2026, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou a aplicação de sanções contra o ditador bielorrusso Alexander Lukashenko, devido ao seu envolvimento na expansão e prolongamento da guerra da Rússia, país agressor, contra a Ucrânia. 

    As razões foram explicitamente indicadas. Entre elas, refere-se que, na segunda metade de 2025, no território da Bielorrússia, as forças russas instalaram um sistema de para o controlo de drones de ataque. 

    Uma das razões apresentadas foi o facto de, na segunda metade de 2025, a Rússia ter instalado no território da Bielorrússia um sistema de retransmissores para o controlo de drones de ataque, o que aumentou significativamente a capacidade do exército russo de realizar ataques contra as regiões do norte da Ucrânia — desde a região de Kyiv até à região de Volyn. 

    Parte desses ataques, incluindo contra infraestruturas energéticas e ferroviárias, não teria sido possível sem esse apoio proveniente da Bielorrússia.

    A imposição destas sanções foi o culminar de uma operação cibernética prolongada conduzida por hacktivistas ucranianos do centro de ciberanálise Fenix, com o apoio de voluntários da Comunidade Internacional de informação OSINT InformNapalm.

    Detalhes da operação cibernética

    No decurso desta operação, os ciberespecialistas terão conseguido comprometer contas de dezenas de militares russos e obter acesso a sistemas de monitorização utilizados por operadores de drones de ataque russos. Foi estabelecida vigilância encoberta permanente destas contas, ao longo da qual foram transmitidos em tempo real às Forças de Defesa da Ucrânia dados que contribuíram para reforçar a capacidade de resposta a ataques com drones russos, bem como para a recolha de informação de inteligência sobre rotas de voo e perfis de missão dos drones.

    Estes processos decorreram pelo menos desde meados de 2025 e, em Fevereiro de 2026, encontravam-se já esgotadas as suas capacidades operacionais de inteligência e recolha de informação. Este desfecho foi igualmente influenciado pelos ataques bem-sucedidos das Forças de Defesa da Ucrânia contra postos de comando russos.

    Voltando um pouco atrás: em setembro de 2025, na sequência da análise de dados interceptados em conversas de operadores de drones russos, foi também identificada informação relevante. Constatou-se que a Federação Russa utilizava activamente infraestruturas civis, nomeadamente torres de telecomunicações no território da Bielorrússia, para delinear rotas de voo dos seus drones. Desta forma, procuravam assegurar um sinal estável e atingir alvos nas regiões norte e oeste da Ucrânia.

    Além disso, foram registadas incursões deliberadas de UAV no território de países da NATO, não se tratando de ocorrências acidentais.

    Ecrã de transmissão do ambiente de trabalho e do software dos operadores russos de drones, com a imagem da câmara do drone. À direita, no chat, surge uma mensagem do operador com o nome de utilizador “user5214”: “Aeronave ЫЫ12057 descolagem normal às 11h08, em direção a Chernihiv”. Data: 25/09/2025. 

    Ecrã de transmissão do planeamento de rotas de voo.

    No lado direito do ecrã, encontra-se o chat dos operadores:

    – “Peço que me informem quando o camarada general chegar.”
    – “Gerbera 14922, operação normal às 14h58; Gerbera 29097, operação normal às 14h40; Gerbera 26153, operação normal às 15h06.”
    – “Geran 1140, operação normal às 16h07.”

    Ecrã dos operadores de drones russos. Plano de rota típico: descolagem a partir do território da Federação Russa, voo sobre a Bielorrússia ao longo da fronteira com a Ucrânia e, posteriormente, execução de ataques a alvos em território ucraniano. 

    Monitorização encoberta de ameaças

    Durante vários meses, especialistas ucranianos em TI realizaram, de forma contínua e discreta, a monitorização de chats e actividades de dezenas de operadores de drones de ataque russos, evitando expor a sua presença. Os dados obtidos foram transmitidos de forma operacional às estruturas competentes das Forças de Defesa da Ucrânia.

    Esta informação permitiu melhorar significativamente a consciência situacional e reforçar o sucesso na detecção, interseção e neutralização de drones russos. Não se tratava de controlo total dos sistemas como os ciberespecialistas não tinham capacidade para operar os drones , mas sim da observação das acções do adversário, contribuindo para aumentar a eficácia das medidas operacionais de resposta da parte ucraniana.

    A operação decorreu durante mais de seis meses, ao longo dos quais foram executadas várias acções pelas Forças de Defesa da Ucrânia:

    • ataques bem-sucedidos a postos de comando e locais de lançamento de drones no território da Federação Russa e em territórios ucranianos temporariamente ocupados;
    • ataques a posições da unidade de elite russa “Rubikon”, entre outras acções que contribuíram para a perturbação dos planos e intenções russas.

    Além disso, já em Setembro de 2025, foi fornecida informação operacional aos parceiros da NATO, segundo a qual a entrada de dezenas de drones russos na Polónia, na noite de 9 para 10 de Setembro de 2025, terá constituído um elemento de teste de novas tácticas e das capacidades da infraestrutura civil bielorrussa de telecomunicações, com o objectivo de planear futuras operações de ataque contra rotas logísticas tanto em território ucraniano como em território polaco, procurando assim cortar o acesso da Ucrânia ao fornecimento de armamento e equipamento ocidental.

    Foi igualmente observado que tanto o software utilizado pelos operadores russos de drones como as suas comunicações incluíam referências a UAVs da série “ЫЫ”. Drones desta mesma série terão também sido encontrados em território dos Estados Bálticos e da Polónia na sequência de ataques com drones russos.

    Drones de isco russos “Gerbera”, com os números laterais característicos ЫЫ32384 e ЫЫ31402, encontrados em território polaco. 

    Fragmento da secção traseira de um drone de isco “Gerbera”, com o número ЫЫ31704, encontrado numa praia na Letónia. 

    Conclusão: a guerra no ciberespaço requer enquadramento jurídico

    A experiência desta e de muitas outras operações cibernéticas bem-sucedidas demonstrou que a intrusão profunda nos sistemas de comunicações, planeamento e coordenação do adversário pode ter um impacto significativo no decurso das operações militares.

    Os ciberespecialistas ucranianos, tanto estatais como civis, têm vindo a demonstrar uma elevada eficácia ao longo dos últimos anos. No entanto, a sua interação ainda não dispõe de um enquadramento legal ( legislativo )  plenamente desenvolvido ( estruturado)

    A aprovação da lei para a criação das Forças Cibernéticas tem vindo a ser adiada desde 2023.

    A 9 de outubro de 2025, a Verkhovna Rada da Ucrânia adotou na primeira leitura o projecto de lei n.º 12349, que prevê a criação do Comando das Forças Cibernéticas, a formação de uma reserva cibernética composta por especialistas civis, a realização de operações cibernéticas activas e a cooperação com a NATO. No entanto, desde então, o processo de criação das Forças Cibernéticas continua sem avanços significativos.

    A 19 de Fevereiro de 2026, o porta-voz da Comunidade Internacional de informação OSINT InformNapalm, Mykhailo Makaruk, chamou publicamente a atenção para o facto de o projecto de lei estar há muito tempo à espera de conclusão do processo parlamentar.

    Na prática, os ciberespecialistas ucranianos que conduzem operações ofensivas contra o inimigo encontram-se numa “zona cinzenta” do ponto de vista do seu enquadramento jurídico.

    A criação das Forças Cibernéticas da Ucrânia permitiria:

    • coordenar de forma sistemática os sectores estatal e civil;
    • escalar operações bem-sucedidas;
    • legalizar os mecanismos de cooperação e interação;
    • reforçar o nível de planeamento estratégico no ciberespaço.

    A recente operação cibernética bem-sucedida contra as tentativas da Rússia de contornar o bloqueio do Starlink tornou-se um exemplo de mais uma forma eficaz de cooperação horizontal entre ciberespecialistas ucranianos, voluntários OSINT e o Ministério da Defesa da Ucrânia. No entanto, o potencial deste modelo de cooperação é significativamente maior.

    A operação cibernética de seis meses, que expôs a utilização de infraestruturas bielorrussas para ataques contra a Ucrânia e o teste, por parte da Rússia, de rotas para possíveis ataques contra países da NATO, constitui prova de que o ciberespaço não é um instrumento auxiliar, mas sim um verdadeiro teatro de operações militares.

    E este teatro exige não apenas especialistas, mas também uma decisão política do Estado, cuja necessidade já se encontra há muito atrasada.

    Leiam mais:

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