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Canal de tráfego de refugiados da Síria para a Belarus e voos de patrulha de bombardeiros russos Tu-22M3

Voluntários da Comunidade Internacional de Informação InformNapalm notaram que, nos últimos 7 dias, a companhia aérea privada síria Cham Wings Airlines operou 4 voos directos do Aeroporto Internacional de Damasco para Minsk. O pico dos voos foi observado a 7 de Novembro. E já no dia 8 de Novembro, a situação na fronteira polaco-bielorrussa agravou-se sem precedentes, quando um grande grupo de migrantes, acompanhados por oficiais de segurança bielorrussos, empreenderam várias tentativas de romper a fronteira para Polónia. As provocações na fronteira continuam.

Aparentemente, esses voos frequentes estão associados ao tráfico maciço de migrantes ilegais do Oriente Médio para a Belarus, que o Kremlin, nas mãos do ditador bielorrusso Alexander Lukashenko, usa para uma operação híbrida contra países da OTAN, em particular contra a Polónia e a Lituânia. 

De acordo com os dados do Flightradar24, as aeronaves da Cham Wings Airlines com as matrículas YK-BAG e YK-BAB realizaram 2 voos cada uma para Minsk no período de 5 a 10 de Novembro.

Por que razão, exactamente esta companhia aérea síria, estaria envolvida numa operação híbrida de agências de inteligência da Federação Russa e da República da Belarus? A resposta a esta pergunta pode ser encontrada nas fontes abertas. Sabe-se que a Cham Wings Airlines está sob sanções dos Estados Unidos desde 2016 por participar do transporte aéreo de armas e militantes para o ditador sírio Bashar al-Assad. E em 2021, a Ucrânia também implementou as suas sanções contra a Cham Wings Airlines. De acordo com relatos dos meios de comunicação, as aeronaves desta companhia aérea operavam voos proibidos para a Crimeia ocupada e também eram usadas para transportar mercenários do conhecido “proxy” grupo russo Wagner de Rostov-on-Don para a Síria.


Read more in InformNapalm’s report on the role of Russian PMCs in armed conflicts.


Com certeza, esses voos não serão a única maneira de transportar refugiados do Médio Oriente para as fronteiras da Polónia e da Lituânia. Curiosamente, na véspera da fase activa desta operação híbrida especial, a 4 de Novembro de 2021, Vladimir Putin e Alexander Lukashenko assinaram o chamado “Decreto do Estado da União” que contém 28 programas, incluindo o conceito de cooperação de defesa e migração entre a Federação Russa e a República da Belarus.

Operação militar híbrida e Tu-22M3 na Síria e Belarus

A 10 de Novembro, o Ministério da Defesa da República da Belarus divulgou relatórios e vídeos duma patrulha aérea conjunta com a Rússia ao longo da fronteira estadual da Belarus nas direções oeste e noroeste. A patrulha envolveu dois bombardeiros estratégicos russos com capacidade nuclear Tu-22M3.

Curiosamente, a 10 de Novembro, no contexto da operação especial perto da fronteira polaca, uma declaração foi feita no “talk show” de propaganda russa “60 Minutos”, alegando que o Ocidente, como um todo,  deveria aceitar todos os refugiados na fronteira com a Belarus. Os propagandistas enfatizaram que esta é “responsabilidade directa do Ocidente, que bombardeou as casas de sírios pacíficos”. No contexto dessas declarações, os voluntários da InformNapalm notaram que os bombardeiros russos Tu-22M3 com números de cauda 22 (vermelho, número de registo RF-95956) e 24 (vermelho, número de registo RF-94154) participaram num voo de patrulha a 10 de Novembro. Pelo menos um desses aviões, junto com os seus tripulantes, participou na operação militar russa na Síria.

Organizações internacionais de direitos humanos publicaram repetidamente informações a mostrar que foi a Força Aérea Russa que alvejou civis e equipes de resgate na Síria, e também usou munição não guiada, bombas de fragmentação e até bombas anti-bunker proibidas pelo direito internacional de serem usadas em áreas residenciais. 

Em 2016, a InformNapalm recolheu os dados de 116 oficiais da Força Aérea Russa que participaram nos ataques aéreos com mísseis e bombas na Síria. A propaganda russa apelidou essas publicações de “perigosa fuga de informação classificada“.

Contexto Histórico 

Em Junho de 2021, a InformNapalm realçou que a formação de mais uma nova divisão do Exército Russo perto das fronteiras da Lituânia estava adiantada. Em Agosto, a propaganda bielorrussa e russa deram início à fase activa de apoio à informação para ataques híbridos na Lituânia. Em Setembro, como parte da fase activa das manobras militares em grande escala Zapad-2021, ocorreram provocações na fronteira entre a Ucrânia e a Belarus. E já no início de Novembro, surgiram novos relatórios sobre a acumulação de equipamento militar russo em Yelnya, a 50 km da fronteira com a Belarus e a 200 km da fronteira com a Ucrânia. Uma semana após esses relatórios, teve início a fase activa da operação híbrida da Rússia e da Belarus na fronteira com a Polónia.

Todos esses processos, obviamente, são componentes duma única “aposta” do Kremlin. A Rússia está convencida de que colocou a UE, e especialmente a Alemanha, firmemente na agulha de gás Nord Stream 2, assim as acções de Moscovo estão a tornar-se mais insidiosas e agressivas. A conquista militar e política da Belarus pela Federação Russa continua em ritmo acelerado. O ditador bielorrusso Alexander Lukashenko tornou-se um fantoche completo de Vladimir Putin.

A Ucrânia continua a ser o foco da agressão russa e, após a conquista da Belarus, a extensão da fronteira como trampolim para a agressão russa aumentou significativamente. Caso não consiga romper a fronteira polaca, Moscovo, com as mãos de Minsk, provavelmente redirecionará o ataque híbrido de refugiados para a Ucrânia.


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Tradução: Helena Sofia da Costa. Distribuição e partilha com referência à fonte são bem-vindas! O InformNapalm não tem nenhum apoio financeiro do governo de nenhum país ou doador, os únicos patrocinadores do projeto são os seus voluntários e leitores. Também pode ajudar o InformNapalm com uma contribuição através da plataforma Patreon.

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